Em qualquer trabalho, a empresa tem que saber dizer exatamente em que horas do dia seus colaboradores estão trabalhando. Mesmo que esse horário seja flexível, ainda é muito importante fazer esse acompanhamento, por diversas razões. Porém, essa tarefa fica um pouco complicada na hora de controlar a jornada de trabalho do caminhoneiro, já que esse profissional pode passar semanas longe de seus contratantes.

Por muito tempo, essa medida era efetuada de forma arbitrária ou mesmo injusta para os caminhoneiros. Porém, com a chegada da Lei Nº 13.103 de 2015, alguns dos critérios de medição dessa jornada ficaram mais claros, evitando desentendimentos entre o dono da carga e o motorista.

Se você quer entender melhor como fazer o controle da jornada de trabalho do caminhoneiro, então continue lendo e descubra o que precisa saber sobre o assunto.

Por que controlar esse tempo?

Obrigatoriedade da lei

Como mencionamos, há uma lei que obriga os contratantes de caminhoneiros a sempre medirem a jornada de trabalho de seus contratados. Descumprir essa obrigação dificulta outras tarefas, como os pagamentos, além de poder trazer vários problemas jurídicos para a empresa ao longo do tempo.

Além de pensar na questão do controle de jornada, também é importante conhecer toda a lei, entender suas últimas mudanças e como elas afetam o funcionamento do negócio. Muitos bons profissionais perdem vários recursos apenas por não conhecerem seus direitos e obrigações nas relações de trabalho. É melhor estar informado e se prevenir do que lidar com isso tudo posteriormente.

Avaliação de desempenho

De forma geral, o desempenho de muitos caminhoneiros depende do tempo total que eles levam para transportar a carga em segurança. Sendo assim, o controle da jornada de trabalho do caminhoneiro também é uma fonte prática de dados para acompanhar a performance desse profissional ao longo do tempo. Considerando que o foco atual do mercado é em desempenho, esse tipo de avaliação é cada vez mais importante.

Mesmo que você faça esse controle de forma independente, como motorista autônomo, essas informações ainda podem ser muito úteis. Entender os próprios resultados apresenta os dados necessários para se aprimorar, o que traz novas oportunidades de trabalho no futuro.

Quantificação de horas extras

Como em muitas outras carreiras, um caminhoneiro também tem direito a horas extras. Por lei, uma jornada padrão dura até 8 horas diárias, com acréscimo de até 2 horas extraordinárias por dia. Saber quanto desse tempo foi utilizado e ter um registro preciso é bem útil na hora de resolver a situação com os contratantes.

Mesmo que não haja má-fé de nenhuma das partes envolvidas, a divergência de dados pode dificultar bastante esse processo. Especialmente se o meio de registro utilizado não for escolhido em conjunto. É melhor ter todos os detalhes combinados com antecedência do que passar por dores de cabeça na hora de receber seu pagamento.

Como definir o que faz parte da jornada de trabalho?

Algo que dificulta um pouco o controle da jornada de trabalho do caminhoneiro é justamente o desacordo em relação ao que faz parte ou não desse tempo. Não é de hoje que contratantes e motoristas entram em discussões sobre o total de tempo disponibilizado.

Diante disso, a lei prevê 3 tipos de horas a serem medidas:

1. Tempo de trabalho

Como o nome diz, é o horário em que o motorista está ativamente fazendo o transporte e que conta para sua jornada, assim como horas extraordinárias. É o tempo que ele passa na estrada, efetivamente buscando ou entregando a carga.

2. Tempo de espera

Quando chega ao local da mercadoria, o motorista precisa esperar um tempo mínimo de carga ou descarga, ou para fiscalização da alfândega. Esses períodos se encaixam no tempo de espera, que é um meio termo entre descanso e trabalho.

Essas horas não contam para a jornada, mas são remuneradas em 30% do pagamento por hora do motorista. Se uma carga leva 2 horas para ser colocada no caminhão e o valor por hora é de R$ 100,00, então o motorista receberia R$ 60,00 por esse tempo de espera.

3. Tempo de descanso

Por fim, todo profissional tem direito a 8 horas ininterruptas de descanso a cada dia. Isso deve fazer parte da rotina do caminhoneiro e é o tempo que ele tem para dormir, descansar e receber alguma ajuda médica regular à qual ele tem direito.

Como medir a jornada de trabalho do caminhoneiro de forma justa?

Registro em diário de bordo

O registro do horário trabalhado é uma das responsabilidades do próprio caminhoneiro. Como o nome diz, o diário de bordo é uma forma de demarcar todas as suas atividades ao longo do caminho, incluindo horários de parada e possíveis dificuldades.

Quanto mais preciso e detalhado for esse registro, melhor será para ambas as partes. É um meio antigo, mas ainda comum, de comprovar a jornada de trabalho, o qual pode ser bem útil quando comparado a outras ferramentas.

Sistema de monitoramento eletrônico

Para minimizar o número de divergências e a margem de erro na verificação da jornada de trabalho do caminhoneiro, muitos empregadores utilizam a tecnologia, com um sistema de monitoramento eletrônico para controlar os horários de trabalho dos motoristas.

Ele pode ser registrado manualmente ou mesmo ligado ao sistema do caminhão, tomando nota toda vez que ele entra ou sai de um ponto de descanso.

No geral, tal sistema é o mais prático e confiável. Mas, em todo caso, vale a pena manter outros métodos analógicos para resolver pequenas divergências. Desde que elas não sejam muito gritantes, não deve haver um grande problema.

Fichas de trabalho

Em alguns casos, não é necessário ter um diário completo. Basta uma ficha com o horário de início da viagem, de pausa e de término. No fim da viagem, essas informações podem ser entregues ao contratante para calcular o pagamento ou comparar com o registro eletrônico. É menos trabalho para o motorista e mais uma segurança.

Agora que você entende melhor a importância do controle da jornada de trabalho do caminhoneiro, pode fazer esse registro com mais precisão e evitar problemas.

Saber controlar a jornada de trabalho é útil para o caminhoneiro e as empresas contratantes. Aproveite e compartilhe este artigo em suas redes sociais para mais pessoas poderem entender como esse controle funciona!