Contratar um seguro tradicional para o seu veículo pode ser algo muito caro — às vezes, até inviável. Por isso, uma boa alternativa é entrar para uma associação de proteção veicular, também conhecida como seguro de cooperativa. A grande vantagem dessas cooperativas é que elas não possuem fins lucrativos.

No post de hoje, você vai conferir como são calculados os valores cobrados pelas associações de proteção veicular e como esse dinheiro é usado.

Como uma associação de proteção veicular funciona?

A associação de proteção veicular é uma cooperativa de grande porte, bem estruturada, com muitos associados e com vários profissionais para administrar os sinistros. Tudo isso garante que o valor das mensalidades se mantenha baixo.

Em uma associação de proteção veicular, você paga uma taxa de cadastro e, a partir daí, uma mensalidade. Essas associações possuem o mesmo objetivo dos seguros comuns: oferecer proteção contra impactos financeiros que venham a acontecer.

No entanto, nas cooperativas, todos os valores são negociados diretamente com os associados, e não com uma empresa. Esses integrantes, por sua vez, assumem todos os riscos financeiros.

Para que não haja tantas ocorrências de sinistros, e as mensalidades se mantenham baixas, as cooperativas normalmente fornecem rastreadores e bloqueadores automotivos via satélite, com o preço incluso na mensalidade. Em alguns casos, as associações até exigem que você tenha os aparelhos.

Apesar de a prática ser totalmente legal, uma associação de proteção veicular não necessita da fiscalização da Superintendência de Seguros privados (SUSEP). Por não se haver essa análise minuciosa sobre o seu perfil, entrar em uma associação é muito fácil. O único fator levado em consideração é o valor do seu veículo.

Como é calculado o valor da mensalidade?

A base de cálculos para a mensalidade é bem simples. Ela leva em consideração os sinistros ocorridos com os membros do grupo durante o mês anterior — e não em estudos sobre a possibilidade de eles ocorrerem.

No início de cada mês, são calculados todos os gastos com roubos, batidas, enchentes e outros sinistros ocorridos com os integrantes do grupo. O valor dessa soma é dividido entre o total de cotas da associação.

Como são feitas as indenizações?

Para que você receba uma indenização, é necessário não só calcular a soma dos sinistros do mês anterior, mas também é preciso que todos os associados tenham quitado suas respectivas mensalidades. Por isso, a indenização pode demorar um pouco mais — normalmente, o prazo é de 60 dias.

As indenizações para os casos de perda total e roubo também são baseadas no que é estabelecido pela tabela Fipe, e não no que está na nota fiscal ou quanto você acha que o seu veículo vale.

Por isso, é importante que se lembre de que o seu veículo sofre uma grande depreciação assim que sai da loja. Além disso, vale ressaltar que os valores da tabela Fipe mudam todos os meses. Dessa forma, a associação indeniza tendo como referência o mês do pagamento, e não do sinistro.

Sempre que o preço de um conserto for maior do que 3% do valor de mercado do veículo, a cooperativa assume o pagamento. Acima de 75% desse valor, é considerado que houve perda total, e a associação deve ressarcir ao proprietário o valor integral de seu bem.

Quais as diferenças entre a associação e um seguro tradicional?

Em um seguro comum, você transfere todo o risco financeiro para a empresa de seguros. Essa, por sua vez, deve calcular meticulosamente o valor da apólice, de acordo com os riscos.

Para que o negócio sobreviva, a seguradora precisa ter uma grande base de clientes, além de cobrar um preço mais alto pelas apólices. Afinal, ela deve operar com um capital mínimo, para sempre ter dinheiro em caixa e pagar as indenizações, quando for necessário.

Os seguros são regulamentados pela SUSEP. Esse órgão fiscaliza a forma como as seguradoras mantêm suas provisões, além de determinar quais são os fatores para o cálculo de risco — como localização, histórico, idade e perfil das pessoas que dirigem um veículo.

Por que a associação de proteção veicular é melhor do que uma cooperativa entre amigos?

Para que você entenda as vantagens de se entrar para uma cooperativa de grande porte, veja o seguinte exemplo:

Suponhamos que você e mais 10 conhecidos contribuam mensalmente com uma caixinha, para formarem um fundo financeiro e se ajudarem, caso aconteça um problema com o carro de algum de vocês.

Esse fundo pode ser usado para pagar uma oficina ou até comprar um carro novo. Todos os gastos com as ocorrências do último mês são somados e divididos entre você e seus amigos. Por causa disso, acaba havendo uma disparidade grande entre o que é pago a cada mês.

Além de levar em conta os gastos mensais médios com essas ocorrências, vocês devem também arcar com a contabilidade, os trâmites jurídicos, a fiscalização das ocorrências, a pesquisa por oficinas boas e confiáveis etc.

Com isso, uma associação que tivesse poucos participantes faria com que a contribuição mensal saísse alta para cada membro. Isso poderia acabar causando vários problemas, como o “calote” de alguns dos seus amigos, por exemplo.

O que observar ao procurar uma associação de proteção veicular?

Se você não quer correr riscos, é importante procurar uma cooperativa confiável. Pesquise quanto tempo de atuação ela tem no ramo, quantos associados possui (o ideal é que tenha pelo menos 500) e se apresenta um aumento exponencial nessa quantidade.

Com um número grande de membros, os valores são divididos entre mais pessoas. Além de diminuir as mensalidades, isso aumenta a probabilidade de que todos os membros continuem pagando.

Outro ponto importante é que, antes de fazer o seu cadastro, verifique se não há reclamações a respeito da cooperativa em órgãos como o Procon ou sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui ou o Proteste.

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