Passar mais tempo com a família é desejo de muitos motoristas, mas infelizmente a realidade é que a profissão de caminhoneiro é uma das mais difíceis e perigosas do Brasil.

Ser motorista de caminhão é um ofício que exige comprometimento e tempo. Horas seguidas de trabalho e viagens de longa distância são a rotina desse profissional do transporte.

Muitas pessoas escolhem essa atividade porque a remuneração é boa e tem alta demanda por empregados..

Uma pesquisa realizada em parceria com o Programa Volvo de Segurança do Trânsito (PVST) revelou que 55% dos caminhoneiros gostariam de abandonar a profissão, e 86% não desejam que os filhos sigam a mesma carreira.

Perigo nas estradas

Além da distância da família, outro grande problema enfrentado por esses profissionais é a falta de segurança. Dentre toda a frota de veículos terrestres, 25% dos acidentes em rodovias federais envolvem caminhões; nas rodovias estaduais paulistas, esse percentual é de 36%.

A categoria profissional que é líder no número de mortes nas estradas é “motorista de caminhão”. Dentro de um período de dois anos, foram 256 motoristas mortos e 61 ajudantes de motoristas.

Realidade difícil

A mesma pesquisa da PVST revelou que 70% dos caminhoneiros ingressaram na profissão por ser um sonho de infância. A oportunidade de conhecer lugares e novas pessoas é o grande atrativo para quem pensa em se tornar um motorista desse tipo de transporte.

Mas o glamour da profissão logo se esvaia quando a realidade da rotina do caminhoneiro se revela.

São elevadas horas de trabalho sem descanso, por vezes em condições desumanas. São comuns jornadas de 14, 18 e até 24 horas. Esse fato colabora para o alto índice de acidentes envolvendo a categoria.

Assaltos, roubos e furtos de cargas ou peças de caminhão, que geralmente são de alto valor, também são comuns no mundo da profissão. Noventa e três por cento dos caminhoneiros consideram a atividade perigosa devido ao risco de serem vítimas de um desses delitos.

O motorista Edson Sanches trabalha como caminhoneiro há mais de 20 anos. Hoje, ele é cooperado em uma transportadora de produtos perigosos, mas ainda realiza muitas viagens.

O carreteiro revela que já foi assaltado diversas vezes nas estradas e que é não incomum sumirem peças do caminhão, como pneus e baterias, que podem chegar a um prejuízo de mais de R$ 10.000,00.

Atualmente, Edson, que mora em São Paulo, faz viagens para o interior do estado e para o Rio de Janeiro e tem o privilégio de passar os fins de semana em casa com a filha. “Depois de 23 anos, ainda trabalho muito, mas tenho mais tempo com a minha filha, que é a minha família”.

Efeitos colaterais

A tamanha carga de trabalho induz muitos motoristas a permanecerem longos períodos sem dormir, e isso prejudica a saúde.

Dos profissionais que alegaram problemas de saúde; 59% afirmaram ter alguma complicação relacionada à dor nas costas, estresse, pressão alta e obesidade.

A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP realizou uma pesquisa com caminhoneiros que revelou que 70% dos entrevistados estavam com o peso acima do ideal.

Outra observação foi o longo tempo que esses profissionais costumam ficar em jejum. Períodos extensos sem se alimentar levam a quadros de hipoglicemia, que pode causar sonolência e desmaios. Efeito colateral bem perigoso para profissionais que trabalham com direção nas estradas.

Também foi revelado que os motoristas têm o hábito de realizar uma única refeição ao dia. Essa alimentação ainda é sem muito valor nutricional, rica em carboidratos e no período da noite.

A prática é prejudicial à saúde, pois induz picos de glicose e o quadro de hiperglicemia, que é o excesso de açúcar no sangue.

Como ter mais tempo com a família

Mesmo com todas as situações indesejadas, a maior queixa dos motoristas de caminhão é a distância da família. São dias, às vezes semanas longe de casa.

É importante que o profissional procure um equilíbrio entre o trabalho e o bem-estar com familiares, para evitar esse tipo de situação e trazer melhor qualidade de vida para seu dia a dia.

É sabido que a profissão de caminhoneiro é exigente e demanda muito do motorista, mas nem tudo está perdido. É possível conciliar a vida nas estradas com o aconchego de casa.

Veja algumas dicas para passar mais tempo com a família!

Programe suas folgas

Apesar de a profissão de caminhoneiro ser imprevisível, procure conversar com seus superiores e colegas de trabalho para haver pelo menos uma folga fixa no mês.

Programe um passeio diferente ou um almoço em família e aproveite esse dia para ficar perto de quem você ama.

Utilize as tecnologias

Hoje existem diversos aplicativos de celular, como Skype e WhatsApp, que realizam chamadas de vídeo e voz. Até para quem não tem muita familiaridade com smartphones, é fácil utilizar.

Aproveite para pedir ajuda dos filhos a te ensinarem a mexer nos aplicativos. Ligue para eles regularmente, mostre fotos e faça vídeos de onde você estiver.

Com certeza, será excitante para eles participar um pouco das viagens, mesmo que virtualmente.

Se possível, leve-os com você

Em muitas empresas, é possível levar acompanhantes nas viagens. Nas férias escolares dos filhos ou da esposa, aproveite o carreto para o litoral e leve a família junto.

Você trabalhará e se divertirá com eles, e certamente a viagem trará muitas boas memórias para todos recordarem juntos.

Não leve problemas do trabalho para casa

Esse hábito é bem comum não apenas na profissão de motorista, mas vale lembrar: o caminhoneiro passa muito tempo fora de casa, e os momentos com a família devem ser prazerosos e aproveitados minuto a minuto.

Evite chegar de mau humor ou reclamando dos problemas que teve no trabalho. Com certeza, seus familiares estarão com saudades e vão querer passar o tempo junto de você fazendo coisas boas.

É difícil separar as duas coisas, mas tente. Seu tempo em casa ficará mais agradável e sua família mais unida e perto de você.

Tenha prioridades

Mesmo que a profissão de caminhoneiro demande mais de você, priorize o tempo que tem com a família. Vida não é só trabalho; às vezes, vale a pena perder um carreto aqui e ali para ter mais uns dias ao lado dos filhos.

Dinheiro é necessário, mas passar mais tempo com a família certamente será mais valioso para todos.

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