Nos últimos anos, diversos serviços ficaram mais caros devido às mudanças econômicas, o que dificultou a vida de vários profissionais. Em especial, a dos autônomos. Diante disso, muitos tiveram que se reinventar para garantir seu rendimento e continuar atendendo às demandas da população. Uma das soluções encontradas é a que conhecemos hoje como economia colaborativa.

Você certamente já ouviu falar desse termo em algum lugar. É uma forma de se organizar que tem ganhado mais força nos últimos anos, permitindo que vários empreendedores e trabalhadores autônomos se adaptem à nova realidade do mercado. Isso inclui também os motoristas de caminhão, claro.

Se você quer entender como essa nova economia funciona e qual é o impacto dela no trabalho dos caminhoneiros, continue lendo este texto.

O que é economia colaborativa?

Como o nome já indica, é uma forma de economia baseada na cooperação entre os seus membros. Normalmente, quando alguém precisa de um serviço, deve pagar por ele para uma empresa, a qual repassa uma parte como pagamento do profissional, administra os recursos e acumula uma margem de lucro, geralmente voltada para a expansão e o aumento da lucratividade do negócio.

A consequência imediata disso é que, em empresas com pouca consciência social, o lucro vira o único propósito da organização, e não o atendimento das demandas da população. Sendo assim, ou os serviços se tornam muito caros ou passam a ser direcionados para um público menor, deixando a maioria desamparada. Dentro do contexto dos motoristas de caminhão, esse é o caso do seguro, um serviço necessário, mas que tem custo muito alto devido ao risco do setor.

A economia colaborativa entra aqui como alternativa a esse modelo. No lugar de atuar de maneira dependente de uma empresa com interesses próprios, a população se une e trabalha por conta própria para suprir essa demanda. Como o objetivo não é lucrar, todos os envolvidos podem focar na melhor qualidade do serviço.

Continue a leitura e entenda ainda mais sobre como aplicar esse conceito no trabalho de caminhoneiro, conhecendo também outras formas de se beneficiar da colaboração para diversos aspectos, como: diminuição de custos, segurança nas estradas e formas de aprimorar o trabalho.

Por isso, você lerá sobre:

  • Como a economia colaborativa funciona?
  • Quais os formatos de colaboração?
  • Quais as vantagens da economia colaborativa e como o motorista de caminhão pode se beneficiar?
  • Como aplicá-la em seu trabalho — formas de implementação: associações, cooperação, troca de serviços, espaços compartilhados etc.?
  • De que forma o caminhoneiro pode se beneficiar diretamente?

Então, continue conosco e veja todas as informações para ter acesso a essa forma vantajosa e lucrativa que é o trabalho utilizando a economia colaborativa.

Como ela funciona?

Há várias maneiras de implementar esse tipo de economia, mas todas se resumem à união de diversos profissionais com um objetivo em comum ou com objetivos complementares, sempre através do compartilhamento de um serviço. Não com objetivo de lucro, mas sim de melhorar a qualidade de vida geral e de economizar o tempo de todos.

Outro ponto a considerar é que, nesse novo modelo, o foco também muda do acúmulo para a circulação de recursos. Ter um grande patrimônio parado não é mais um benefício. Vale mais para todos garantir que esses serviços e produtos circulem, que atendam às necessidades da população e mantenham uma dinâmica mais sustentável de trabalho.

Há várias empresas começando a aproveitar o modelo colaborativo. Em vez de oferecer produtos fechados, elas promovem o compartilhamento de recursos entre pessoas, agindo apenas como mediadoras nessa relação. O resultado é que todos têm mais oportunidades para obter o que precisam e dividir um pouco do que possuem com os demais.

A economia colaborativa também segue alguns conceitos fundamentais. Entre eles, podemos destacar:

Crowdfunding

Essa é uma palavra bem recorrente em várias mídias, mas que ainda não é totalmente explicada para todo mundo. Ela é um termo em inglês que significa, basicamente, “arrecadar recursos através do público”. Nesse modelo, um grupo de pessoas se une para acumular uma determinada quantidade de capital e financiar alguma ação, como uma construção, uma manutenção ou mesmo uma festa.

Na prática, é criada uma “vaquinha” por diversas pessoas, geralmente on-line, oferecendo recompensas proporcionais à participação de cada um no financiamento. Há diversos negócios que atuam como catalisadores para a arrecadação, como Kickstarter e Catarse, entre outros. Essa prática ajudou a aproximar muito mais o cliente final do processo produtivo, além de dar mais oportunidades para novos empreendimentos se firmarem financeiramente antes de começar a produzir.

Economia de reputação

Outra coisa que a economia colaborativa preza muito é a reputação de seus serviços. Pense que, para que esse modelo econômico funcione, é necessário que empresas, consumidores e profissionais autônomos confiem uns nos outros para prestar o auxílio que caracteriza esse trabalho. Isso envolve desde trocar um produto com garantia por outro criado por um completo estranho até ir a um local completamente desconhecido.

Porém, os participantes aceitam isso, pois há alguma análise que diz que o acordo é vantajoso ou alguma recomendação de alguém reconhecido nesse ramo. Pode parecer loucura, mas é justamente disso que essa economia trata. Há um cultivo de boa reputação através da cooperação, o que leva pessoas que nunca se viram a confiarem mais umas nas outras e fazerem uma troca de benefícios. Quando essa troca é bem-sucedida, há mais confiança sendo produzida, o que gera um ciclo virtuoso para qualquer profissional.

Senso de comunidade

A economia colaborativa aposta no senso de comunidade como seu principal fundamento. Buscar os próprios objetivos e conquistas não é errado, mas há dois pontos que são levados em conta aqui:

  • nenhuma pessoa alcança grandes resultados sem ajuda;
  • pensar no benefício de todos também é benéfico para o próprio indivíduo.

Em outras palavras, a cooperação mútua e voluntária é a base para o sustento de toda a população.

Nesse sentido, é possível perceber como a economia colaborativa pode contribuir para o trabalho do caminhoneiro, seja em termos de negócio — envolvendo também as empresas do segmento —, seja para o dia a dia do motorista.

Em seguida, observaremos as vantagens desse tipo de economia para que possamos verificar, depois, as aplicações específicas para a área de transporte de cargas e outros setores que envolvem a atuação do caminhoneiro.

Quais as vantagens da economia colaborativa?

Menor custo para todos os envolvidos

Um dos grandes gatilhos para essa forma de economia foi justamente o aumento do custo de certos serviços, como transporte e manutenção. Quando esses custos excedem muito o limite de uma pessoa, ela é simplesmente obrigada a não usar mais os serviços, o que pode gerar consequências sérias ao longo do tempo. Imagine como seria grande o problema se você não pudesse chamar um guincho para seu caminhão em caso de acidente, por exemplo.

Se você estiver disposto a colaborar com outras pessoas nesse processo, todos podem unir seus recursos e garantir que cada um tenha acesso ao serviço quando necessário. Como nenhuma das partes envolvidas está buscando lucro, o valor necessário em contribuição, seja financeiro ou com outro tipo de serviço, pode ser bem menor que a média.

Meio econômico autossustentável

Outra questão que tem ganhado força recentemente é a sustentabilidade da sociedade como um todo, tanto em termos de meio ambiente quanto econômicos. Se uma pequena parte da população acumula muito mais recursos que a maioria, isso gera uma série de problemas, como aumento da inflação, menor acesso a serviços básicos, entre outros problemas. Boa parte disso acontece por causa do desperdício de energia, combustível, entre outras coisas.

Dentro da economia colaborativa, por outro lado, o foco é distribuir os excessos e garantir que todos sempre tenham acesso ao necessário. Se você tem um carro particular, por exemplo, pode se oferecer para dar carona a outras pessoas. Basta que esses recursos estejam sempre em movimento e atendendo às demandas de toda a população. Quanto mais pessoas se beneficiarem, melhor.

Parcerias de longo prazo

Na sociedade atual, é bem comum ver relações pessoais e de trabalho cada vez mais curtas. Um serviço é contratado, é prestado e depois as partes se afastam. Não há nenhum vínculo criado, nem qualquer senso de comunidade. Mesmo que isso pareça o normal, não é difícil notar como essa forma de trabalho não é tão benéfica para nenhuma das partes. Você investe seu tempo em outra pessoa, mas o retorno dura muito menos.

Na economia colaborativa, um dos objetivos é criar um vínculo seguro e duradouro entre todos. Dessa forma, sempre que uma das partes precisar daquele mesmo serviço, ela poderá contar imediatamente com alguém e vice-versa. E você já deve saber que quanto mais tempo você passa trabalhando bem com alguém, mais segura e estável se torna essa relação.

Foco no benefício mútuo

Por fim, mas não menos importante, colaborar significa necessariamente que todos devem tirar algo de bom do acordo estabelecido. Diversos negócios hoje em dia acabam defendendo apenas os próprios interesses, o que pode levar a diversas práticas ruins, desde altas exigências para seus clientes e colaboradores até ações ilícitas. Em parte, esse tipo de prática leva a uma desconfiança geral que impede a cooperação de vários grupos.

Esse é um problema amplo e requer toda uma mudança de mentalidade. Por isso, para que esse novo modelo econômico prospere de verdade, todos os envolvidos devem sempre alinhar seus objetivos e pensar em como todos os lados podem sair ganhando ao mesmo tempo. Por exemplo, ao oferecer transporte mais barato de alimentos para uma loja local, você garante o fornecimento de comida com um preço mais acessível para si e para todas as outras pessoas.

Mesmo que ainda exista um grande percurso até alcançarmos o melhor da economia colaborativa, entre os caminhoneiros já podemos ver um grande progresso. Afinal, é comum ver esse instinto de união e foco no benefício mútuo, principalmente quando se trata de segurança nas estradas.

No próximo tópico, você vai ver em que situações práticas a economia colaborativa se aplica e aprenderemos como utilizá-la a nosso favor.

Onde a economia colaborativa pode ser usada?

“Onde” não é bem a palavra certa. Praticamente qualquer setor de trabalho pode exercitar a colaboração mútua. A verdadeira questão é “como” você pode aplicá-la. De forma geral, podemos destacar estes principais métodos:

Criação de associações autônomas

A forma mais simples de colaborar é se associar a outras pessoas que tenham o mesmo objetivo que você para, assim, garantir que todos tenham acesso ao serviço do qual necessitam. É o caso, por exemplo, da proteção colaborativa, um conjunto de profissionais que dividem os custos de diversos serviços para garantir a proteção do patrimônio de cada um.

É importante entender que uma associação não é a mesma coisa que uma empresa, nem na prática nem do ponto de vista jurídico. Criar associações de pessoas físicas para defender interesses comuns é um direito civil garantido por lei, mas a associação em si ainda é compreendida como uma pessoa jurídica, com CNPJ próprio. É sempre bom lembrar disso na hora de criar ou se unir a uma.

Cooperação em tarefas complexas

Como já mencionamos, a economia colaborativa envolve várias pessoas querendo atingir um mesmo objetivo ou objetivos complementares. Você ajuda o próximo e se ajuda ao mesmo tempo. Uma forma de fazer isso é trabalhar em conjunto para prestar um serviço, mas sem estabelecer nenhum vínculo imprecativo. O propósito principal aqui é manter o trabalho fluindo, sem sobrecarregar os profissionais nem desamparar a população.

Dentro do contexto dos caminhoneiros, podemos citar o revezamento de cargas, que é quando um caminhoneiro leva tudo até um determinado ponto de encontro e depois passa a mercadoria adiante para outro, acelerando a viagem. No fim das contas, todos recebem um valor proporcional à sua participação na viagem. E enquanto o segundo faz a sua parte, o primeiro já pode prosseguir para o próximo serviço. Isso beneficia o cliente, pois ele terá sua entrega mais rápido, e beneficia o caminhoneiro, já que ele terá acesso rápido a mais trabalhos.

Troca de serviços

Outra forma de cooperar é através da troca mútua de serviços entre profissionais de áreas diferentes. Se cada um atender a uma das demandas dos demais membros, então é possível pagar pelos serviços prestados com o próprio trabalho. Além de ser um método mais prático e barato, ele também é bem menos burocrático, pois tudo que você precisa é um acordo entre as partes.

Para explicar melhor, vamos usar um exemplo: imagine que, em uma vila, há um agricultor, um marceneiro e um alfaiate. Todos eles precisam de comida regularmente, também têm necessidade de adquirir novas roupas de tempos em tempos e, além disso, de vez em quando precisam reformar suas casas. Todos os três fornecem esses serviços para toda a vila e recebem, em troca, os serviços dos demais membros.

Isso ilustra, basicamente, uma economia colaborativa por troca de serviços.

Espaços compartilhados

Mesmo que não seja possível trocar serviços no lugar de recursos, sempre há a opção de dividir os custos comuns e partilhar do mesmo espaço. Dessa forma, as despesas fixas serão mais leves para cada membro, permitindo que todos tenham um local de uso que caiba dentro do próprio orçamento.

Um exemplo clássico disso são as repúblicas, casas compartilhadas por diversas pessoas, seja cada uma com um quarto individual ou partilhando o quarto com outras pessoas. Dessa forma, todos têm um lugar para morar e podem dividir o custo do aluguel e de outras despesas entre si.

O mesmo princípio se aplica a outros tipos de espaço, como depósitos, estacionamentos, entre outros. Se vários caminhoneiros precisam de um lugar para guardar os veículos em segurança quando não estão em uso, eles podem alugar um grande galpão e dividir o valor total entre si. Dessa forma, o custo final pode ser ainda menor.

Vimos, até aqui, como a economia colaborativa é determinante quando se pensa em crescimento de uma categoria, como a dos caminhoneiros. É possível, por meio da colaboração, chegar a um patamar que seria impossível caso não existisse esse tipo de cooperação.

Adiante, veremos com mais profundidade e de forma específica os benefícios para cada profissional que trabalha com o transporte de cargas e outras formas de trabalho do caminhoneiro.

Por que a economia colaborativa pode ser positiva para mim?

Talvez você esteja se perguntando: “como a economia colaborativa se aplica a um caminhoneiro?”. Bem, a maior parte dos benefícios que já citamos cabe perfeitamente nesse tipo de trabalho. Algumas das aplicações mais simples são:

Associação de caminhoneiros

Já falamos várias vezes sobre profissionais com um mesmo objetivo se unindo para alcançá-lo. Sendo assim, nada mais natural que diversos caminhoneiros colaborando para que todos tenham os benefícios que precisam para cumprir bem a própria função. Daí surgiram as associações de caminhoneiros que vemos em diversos lugares hoje em dia.

Como o nome já deixa a entender, elas são grandes grupos de caminhoneiros que atuam em conjunto para proteger interesses comuns, como mais segurança, acesso a manutenção e serviços, auxílio durante o trabalho, entre outras coisas. Esta é uma ideia que vem crescendo muito nos últimos anos, tanto pelos benefícios que ela produz quanto pela necessidade de buscar alternativas para outras formas de trabalho.

Associação de proteção veicular

Uma aplicação mais geral do exemplo acima é a associação de proteção veicular. De forma bem simples, ela é um conjunto de motoristas que criam um fundo de reserva ao qual podem recorrer em caso de algum sinistro, como acidente, roubo, falha no motor etc. Todos os membros dividem o custo do serviço sempre que algo assim acontecer.

O principal motivo da existência dessas associações é o alto preço dos serviços de seguro hoje em dia. Com o aumento da violência e de roubos nas estradas, a cobertura para veículos, tanto carros particulares quanto caminhões, é cada vez mais cara. Essa associação permite que todos os membros consigam esse serviço por um valor bem abaixo da média do mercado.

Logística compartilhada

Mais uma vez, é possível que os caminhoneiros colaborem para conseguir cumprir melhor suas funções, levando a mercadoria mais rápido e agilizando seus processos de trabalho. Um exemplo disso é a logística compartilhada, especialmente com relação ao compartilhamento de cargas. É a forma mais simples de acelerar seu trabalho e conseguir mais clientes.

Na prática, o compartilhamento de cargas é um acordo entre empresas e caminhoneiros autônomos. Digamos que dois negócios precisam enviar alguma carga para o mesmo destino geral ou a primeira parada será no meio caminho para a segunda. Porém, cada uma das empresas só possui carga para ocupar um pouco menos da metade do espaço disponível no caminhão.

Nesse cenário, ambas podem entrar num acordo e dividir o custo do frete. Dessa forma, o caminhoneiro atende dois clientes de uma vez, consegue o pagamento completo pelo seu espaço de carga e consegue completar o serviço mais rápido.

Durante toda a nossa leitura, percebemos que a economia colaborativa contribui, então, para que o trabalho seja mais bem planejado e executado, de forma que todos os envolvidos saiam ganhando. Além disso, é possível diminuir custos e elevar lucros, o que também beneficia empresários, clientes e fornecedores.

Por meio dos métodos e associações que se propõem a trabalhar nos termos da economia colaborativa, consegue-se alcançar o sucesso em empreendimentos, elevando as chances de maiores ganhos no curto, médio e longo prazos, também. Sem contar que existe uma melhoria para os familiares dos caminhoneiros, que, até, podem participar por meio de troca de serviços ou outras maneiras de se envolver no trabalho.

Neste post, você conseguiu verificar as inúmeras vantagens da economia colaborativa; mesmo sem saber, talvez você já esteja fazendo uso dela! Dessa maneira, basta, agora, tornar-se mais engajado, associando-se e envolvendo-se com outros caminhoneiros que pensem da mesma forma e tenham a mesma vontade de crescimento.

E existe muito mais informação capaz de auxiliar você neste processo. Para entender ainda mais sobre a economia colaborativa, as vantagens específicas e as formas de aplicação, continue acompanhando os nossos demais conteúdos. Para começar, acesse nosso post explicando detalhadamente a seguinte questão: Associação de proteção veicular é economia colaborativa? Boa leitura!