Você tem em mente todas as precauções necessárias para seguir viagem de forma segura? Todo bom profissional deve se preocupar em planejar os detalhes do trabalho, tomando os devidos cuidados antes de pegar a estrada, não é mesmo?

Sendo você um caminhoneiro de primeira viagem ou um veterano da boleia, nunca é demais revisar os procedimentos e ter acesso às informações sobre cada etapa desse processo de preparação para encarar o trecho. Foi pensando nisso que elaboramos este incrível conteúdo informativo.

Neste artigo, vamos abordar dicas para a manutenção em caminhões, falaremos também sobre a amarração da carga, sobre os documentos obrigatórios no transporte de cargas pelo Brasil, além de apontar estratégias para você traçar sua rota. Também vamos abordar os cuidados que o motorista deve ter com a própria saúde para ter uma carreira longa e feliz.

Ficou curioso? Então siga conosco na leitura!

1. Manutenção de caminhões

Para começar, são várias as checagens a serem feitas na mecânica de seu caminhão, e tudo deve ser minuciosamente conferido para evitar imprevistos no trecho. Nunca se esqueça dos seguintes itens:

Óleo do motor

Primeiramente, confira o óleo do motor pela vareta. Além do nível, verifique se há partículas metálicas ou borras no material, pois esses são indícios de problemas no motor do caminhão.

Use uma chave de boca e um funil para fazer a conferência e a troca e lembre-se sempre de trocar o óleo na quilometragem indicada na embalagem do produto.

O procedimento é simples: com a chave, remova o tambor do cárter de óleo no motor, tenha à mão também um funil para não deixar entrar quaisquer resíduos durante o procedimento.

Filtros

Com um saca-filtros (ferramenta básica no arsenal de todo caminhoneiro), verifique todos os filtros do automóvel — não apenas o de óleo, mas também o de combustível e o de ar devem ser checados.

O filtro de ar, por exemplo, quando está para ser trocado, apresenta um aspecto escuro, indicando estar muito sujo. Verifique o manual do fabricante e confira a periodicidade da troca desses itens. Sempre faça as trocas de acordo com as recomendações desse documento, também não abra mão de investir nos filtros originais de reposição.

Muitos caminhoneiros fazem por si próprios essas conferências e a troca utilizando a ferramenta saca-filtros. Isso não é nenhum bicho de sete cabeças, e ter perícia nesse tipo de procedimento básico reduzirá seus gastos com manutenção.

Freios

Com um paquímetro, você deverá drenar a água que se aloja nos balões de ar do sistema de frenagem. Verifique o estado das pastilhas (ou lonas) caso estejam gastas e faça a substituição. No caso das lonas, as molas devem ser trocadas também.

Com o paquímetro, verifique arranhões e outros defeitos nas superfícies das lonas e dos discos. Usando a mesma ferramenta, confira a espessura das lonas e certifique-se de que esteja de acordo com as recomendações do fabricante.

As sapatas de freio, assim como os tambores (ou discos), também devem ser conferidas. Caso seu caminhão tenha sistema ABS, é preciso verificar também se ele está devidamente ajustado e funcionando corretamente.

Suspensão

Vamos à checagem das molas, batentes, barras estabilizadoras, bandejas etc. Verifique o sistema de suspensão em sua totalidade para se assegurar de que não haja defeito algum. Em relação aos pinos, os centrais e os de suporte, veja se estão devidamente lubrificados.

Verifique se buchas e parafusos estão firmes e, nos casos em que o sistema for de suspensão pneumática, não se esqueça das mangueiras e válvulas, porque elas também devem ser conferidas regularmente.

Para isso, você precisará de um bom macaco hidráulico. Suportando o veículo com essa ferramenta, será possível verificar o sistema de suspensão, sendo ele a ar, espiral ou baseado em feixe de molas.

Pneus

A olho nu, verifique a profundidade das ranhuras da banda de rodagem de cada pneu e também confira se as laterais do pneu estão inteiras. Faça o mesmo com os estepes. Você poderá precisar de um martelo de madeira para auxiliá-lo na checagem dos pneus, essa ferramente revelará se houver ressecamentos em sua banda.

Outro item fundamental na sua caixa de ferramentas é o manômetro. Com ele, você medirá a pressão dos pneus, ajustando para cada tipo de carga, mais uma vez, de acordo com as determinações do fabricante.

Palhetas do limpador de para-brisa

É um item essencial para a visibilidade do motorista em caso de chuva na estrada que não pode ficar de fora da checagem. O problema comum nesse tipo de peça é que a borracha acaba se ressecando e deformando com a exposição ao calor e com a falta de uso. Dessa forma, precisam ser também trocadas mesmo que não estejam desgastadas.

As palhetas em péssimo estado, se insistentemente usadas, podem até mesmo causar riscos no para-brisa do caminhão. Com um kit de ferramentas simples, você mesmo faz a troca, se necessário.

Lâmpadas e sistema elétrico

Luzes queimadas podem causar curtos e maus contatos em seu sistema elétrico. Sempre faça a substituição, caso houver queima de lâmpadas.

Mas não apenas isso, atente para todo o conjunto ótico do veículo, conferindo fusíveis, relés e cabos do sistema elétrico que o alimenta.

Se você tiver algum conhecimento de elétrica/eletrônica e souber usar um multímetro, será de grande valia. Você poderá fazer a manutenção preventiva e verificar a corrente do sistema elétrico, detectando possíveis falhas na alimentação das lâmpadas.

A ferramenta para alinhar faróis também deve ser usada para que se obtenha o ajuste mais preciso da iluminação. Lembre-se: boa visibilidade pode ser vital para enfrentar o perigo nas estradas.

Quinta roda

Em se tratando de caminhão trator, há mais um elemento a ser checado: a quinta roda. Nesse item, você pode remover a graxa antiga acumulada e, com um aplicador de graxa, fazer a aplicação de uma nova.

Bateria

Verifique a água da bateria, já que ela precisa ser trocada periodicamente. Veja também se não há oxidação nos terminais e nos encaixes da peça. Em relação a outros itens do sistema elétrico do veículo, ter uma porção de fusíveis extras pode ser uma mão na roda.

Módulo de injeção

Os caminhões com injeção eletrônica podem precisar de atualizações de software. Isso mesmo, o módulo de injeção tem essa funcionalidade, bem como ferramentas para diagnóstico do funcionamento de seus componentes.

Verifique no site do fabricante quais são as recomendações para o seu modelo em especial e rode a ferramenta de diagnóstico periodicamente para conferir o funcionamento do sistema.

Bem, esses foram alguns itens básicos para você verificar antes de cair na estrada. Observando cada um deles, você evita toda sorte de transtornos e imprevistos mecânicos e pode seguir viagem confiando em sua máquina!

2. Amarração da carga

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) estabeleceu normas técnicas a esse respeito recentemente na Resolução 552/15. No documento, ficou definido que os veículos fabricados a partir de 2017 seguirão novos parâmetros em relação à amarração de cargas. Os veículos mais antigos, tiveram o prazo até o dia primeiro de janeiro de 2018 para se regularizarem também.

Entre as principais diretrizes, podemos destacar o uso do material adequado. Segundo a resolução, estão abolidas as cordas para amarração de carga, que deverão ser substituídas por cintas, cabos de aço ou correntes.

Além do tipo correto de material para amarração da carga, é necessário conferir o estado de conservação desse item. Atente para a presença de deformações ou amassados, perfurações ou quaisquer outras fragilidades no material. Não se esqueça de verificar também qual é a lona correta para sua carga.

Agora, para comprar o equipamento, você deverá observar se existem dados de identificação, e eles devem ser permanentes e estar visíveis para dar a você a garantia da procedência do produto. Neles, deverão constar o comprimento da peça, o fabricante, o código de rastreabilidade, o NBR e a data de fabricação. Exija do seu fornecedor os certificados de teste do lote e observe também os seguintes cuidados:

Use equipamentos de qualidade

Garanta uma amarração firme, com equipamentos de qualidade e alta resistência. Dessa maneira, você garante que a carga não balançará nem se desvencilhará da carroceria na estrada, causando um acidente.

Cheque a amarração em cada parada

Em cada parada, é importante que o motorista cheque como está o aperto da amarração. Se notar alguma folga ou irregularidade, contate o embarcador ou a transportadora imediatamente.

Conheça ou pesquise o trajeto

Você precisa conhecer o trajeto e suas peculiaridades. Se nunca tiver passado pelo trecho, pesquise antes suas irregularidades e possíveis obstáculos. Evitando manobras evasivas, frenagens bruscas e curvas acentuadas, você garante mais estabilidade e firmeza na amarração da carga. Uma boa forma de fazer isso é se antecipar em relação aos problemas do percurso.

Faça um balanceamento da carga

A carga deve ser bem distribuída para não desbalancear o caminhão. Isso serve não apenas para a segurança na viagem, mas também para a conservação de seu veículo.

Lembre-se: sempre comece carregando pelo eixo de trás, assim, você poderá distribuir melhor o peso sobre os dois eixos. Se a carga for indivisível, transporte-a deitada. Esses procedimentos fazem parte dos cuidados essenciais com a manutenção do baú.

Observe os limites de peso

Não se esqueça de olhar se o peso da carga está dentro da capacidade do caminhão, verificando o centro de gravidade, que precisa ser o mais baixo possível para dar maior estabilidade ao veículo. É muito importante lembrar que o excesso de peso pode levar à multa e, muito pior, ao tombamento do veículo.

As cargas com peso mais elevado devem ser fixadas perto do centro, ficando mais baixas na plataforma do caminhão. Nesse caso, é preciso contar ainda mais com a gravidade para que o caminhão fique estável e com boa dirigibilidade.

Preencha os espaços vazios

Não deixe espaços vazios e use material de enchimento se necessário. Algumas vezes, pela variabilidade das formas e tamanho das mercadorias, criam-se espaços não alocados no baú — isso compromete a sustentação e a estabilidade da carga.

Distribua as embalagens pouco resistentes com produtos leves nas camadas superiores. Usando pallets, organize a carga em diferentes seções, em relação ao peso e à resistência do material.

Use o painel de proteção da cabine, laterais e painel traseiro para travar as cargas com forma retangular. Usando combinações de tamanhos diferentes, você pode chegar a um sistema de travamento natural, dispondo as peças na posição correta.

3. Documentos obrigatórios

O transporte rodoviário abrange a maioria das operações do setor de cargas no país. Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas trabalhem nessa área e que 1,6 milhão de veículos sejam usados por trabalhadores autônomos e pelas 130 mil transportadoras em atividade, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Toda essa movimentação é rigorosamente regulada pelas instâncias governamentais. E cada tipo de carga tem suas especificidades no que tange à sua regulamentação. Confira quais são os documentos obrigatórios:

NF-e e DANFE

Um deles é a NF-e, ou Nota Fiscal Eletrônica. Esse documento é obrigatório e deve ser emitido em qualquer tipo de compra e venda, com a finalidade de tributar tais atividades. A NF-e é a prova da legalidade da carga e pode ser emitida pela loja ou fabricante dos produtos transportados.

O DANFE, ou Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica, também é necessário. Por meio dele, você colherá a assinatura do recebedor da carga ou do contratante do serviço.

CT-e e DACTE

O Conhecimento de Transporte Eletrônico, ou CT-e, é específico para o transporte de cargas e tem o objetivo de documentar eletronicamente o serviço prestado pelas transportadoras. Já sua versão impressa é o DACTE, que serve para o acompanhamento da mercadoria, por meio dele, é possível acessar os dados do CT-e no site da Secretaria da Fazenda.

MDF-e e DAMDFE

MDF-e é o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais. Por meio dele, é possível fazer o registro das características do transporte, realizando sua documentação fiscal. Esse documento não se refere à carga, e sim ao transporte em si, abrangendo todo o processo junto à transportadora, possibilitando aos órgãos competentes a monitoração do trânsito de mercadorias por todo o território nacional.

DAMDFE, ou Documento Auxiliar do Manifesto de Documentos Fiscais Eletrônicos, como o nome indica, serve para como auxiliar ao MDF-e; mas ele não o substitui, apenas serve para facilitar o acesso à informações online pelo recebedor da carga.

Documentos para cargas especiais

Transporte de medicamentos ou de itens de grandes dimensões (que excedem a largura do caminhão) precisam de documentação adicional. Para saber sobre os documentos necessários nesses casos, será preciso acessar as páginas da ANTT e do DNTT. Além desses órgãos, as autoridades regionais de trânsito, aquelas que respondem pelas regiões por onde o caminhão passará, também devem ser consultadas.

Como você percebeu, há muitos documentos exigidos na regulamentação do transporte rodoviário de cargas. Por isso, busque se atualizar sempre acerca deles para não ter problemas legais que comprometam seu trabalho.

4. Planejamento da rota completa com paradas

Outro aspecto importante para se preparar para um trabalho é traçar sua rota, planejando todas as paradas. Esse planejamento deve ter por objetivo promover a agilidade e a contenção de custos do processo.

Tendo em vista as condições nada ideais em que se encontram nossas estradas, essa é uma tarefa obrigatória. O planejamento das rotas, em se tratando do planejamento logístico de uma empresa de fretes, possibilita a correta distribuição dos recursos para aumentar a lucratividade.

Em relação à sua segurança, levando em conta o roubo de carga e os assaltos a caminhoneiros nas estradas, é importante poder contar com bom seguro de caminhão ou proteção veicular. Entretanto, planejar as rotas para evitar estradas com maior incidência de assaltos é também muito importante para garantir a sua segurança e a de seu patrimônio.

Menor tempo na estrada, menor desgaste, maior economia

Parta da análise dos pontos de entrega e defina as rotas possíveis, e leve em consideração a escolha dos melhores trechos (em relação à infraestrutura das estradas) e o trânsito nesses locais. A partir desses parâmetros, você poderá ter uma noção do trajeto mais rápido e seguro.

Uma rota perfeitamente planejada ajuda tanto na redução de consumo quanto na agilidade do trabalho. Trechos em que a estrada não esteja boa exigirão mais do motor do caminhão. Por esse motivo, evite-os para gerar menos desgaste mecânico e otimizar o gerenciamento de combustível em cada frete.

Isso também diminui gastos com manutenção preditiva de frotas. Sendo o planejamento algo sistemático em uma empresa, tanto avarias na carga quanto no veículo podem ser minimizados, o que resulta em maior lucratividade a médio e longo prazo.

É importante ressaltar que esse é um trabalho de gestão que precisa ser encarado com seriedade. Por isso, cerque-se ao máximo de informações confiáveis para a tomada de decisões em relação à definição de rotas, seja você um caminhoneiro autônomo, proprietário de uma pequena frota ou gestor de uma transportadora.

Nos três casos, haverá também a necessidade de considerar possíveis imprevistos no trecho. Por isso, leve em consideração o fator surpresa ao definir prazos e estime uma margem de erro para o frete. Dessa forma, você evita desapontar o cliente. Leve em conta também se há alguma restrição de horário para o recebimento do frete para evitar o retrabalho.

Use ferramentas e os melhores aplicativos de mapas, geolocalização e rastreamento para otimizar o processo de definição de rotas e também para informar o cliente em tempo real sobre o andamento do transporte.

5. Cuidados com a própria saúde

Descanso

A Lei dos Caminhoneiros determina que para cada 24 horas de trabalho do motorista se tenha, pelo menos, 11 horas de repouso. Dessas, pelo menos 8 horas terão que ser contínuas, sendo as outras 3 distribuídas em pequenas paradas curtas. Outro aspecto é que a cada 7 dias de trabalho, o motorista deve tirar 24 horas para o seu descanso.

Observar essa norma é importante para manter a saúde e evitar acidentes nas estradas ocasionados pelo esgotamento do condutor.

Sono

Dormir bem é muito importante. Sendo assim, não abra mão de uma boa noite de sono, isso é fundamental para a saúde. Além disso, abusar de café e remédios para ficar horas a fio acordado trará resultados negativos posteriormente.

Postura

Cuide da postura ao dirigir, pois, passando horas sentado e dirigindo, você automaticamente está afetando a sua coluna. Por isso, procure manter suas costas apoiadas no encosto do banco e a coluna ereta.

Uma postura curvada pode gerar dores musculares e, a longo prazo, lesões muito mais sérias. Use a ergonomia do banco da melhor maneira (tendo em vista que esse é também um item de segurança do caminhão) para obter apoio para a lombar e dirigir com maior conforto.

Alongamento

Você precisa fazer alongamentos para relaxar os músculos e melhorar a circulação. Pare o caminhão em lugar seguro e se alongue sempre que possível, especialmente seus braços e seu pescoço. Estique também as pernas e a lombar.

Alimentação

Caminhoneiros não costumam ter horários fixos para se alimentar. Entretanto, é de suma importância que você não abra mão das 3 refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar). Não deixe que a rotina corrida e estressante prive você de aproveitar uma das maiores vantagens de viajar pelo país: conhecer sua grande variedade gastronômica.

Entretanto, tenha atenção à procedência dos locais, busque referências de bons restaurantes e inclua-os na sua rota. Além disso, também evite os doces, frituras e companhia, e dê preferência a refeições leves, nutritivas e saudáveis.

Como se vê, a atividade do caminhoneiro exige planejamento e gestão de recursos. Ainda que o profissional seja autônomo, trabalhando em veículo alugado ou próprio, ele deverá cuidar dos aspectos logísticos de seu negócio para obter lucro e fazer valer a pena os longos períodos que passa longe da família.

Nota-se que a profissão de caminhoneiro exige uma série de cuidados não apenas com o cumprimento de prazos, mas com as regulamentações, com a otimização dos recursos (combustível, pneus, mecânica do veículo) e, principalmente, com a própria saúde e segurança nas estradas.

E então, caminhoneiro, esperamos que este artigo tenha inspirado você a tomar todos os cuidados antes de pegar a estrada. Se quiser saber também quais são as táticas para driblar a ameaça do roubo de caminhões nas rodovias brasileiras, leia nosso e-book gratuito!