Trocar de caminhão pode abrir novas perspectivas para o profissional das estradas. Seja para ter mais conforto e aproveitar as vantagens das novas tecnologias embarcadas, seja para ter maior desempenho e, consequentemente, ampliar as possibilidades de trabalho.

Pensando nisso, neste post vamos oferecer um guia completo para que você saiba qual é o momento certo para trocar seu caminhão.

Para isso, falaremos dos sinais que indicam a necessidade de fazer a troca, daremos dicas sobre a importância dessa conquista — que é um grande passo na carreira do caminhoneiro —, além de mais alguns toques sobre como se preparar para fazer um bom negócio. Preparado? Então, continue acompanhando! 

Quais são os sinais que mostram a hora de trocar seu caminhão?

Caminhão parado é sempre uma preocupação para o caminhoneiro. É prejuízo financeiro na certa, além de um risco para sua segurança.

Prejuízo porque trata-se do ganha-pão do profissional, e risco porque um veículo que começa a apresentar problemas mecânicos compromete a segurança do condutor, além de causar transtornos como possíveis paradas para manutenção.

Por isso, alguns sinais e problemas mecânicos podem indicar muito mais do que uma necessidade de conserto, mas sim que a troca do veículo pode ser mais vantajosa. A seguir, confira alguns indicadores que te ajudarão a considerar tal decisão.

1. Novas tecnologias são cada vez mais necessárias

Seja para ter mais segurança e conforto ou mesmo para aumentar a eficiência do serviço prestado, os caminhoneiros estão cada vez mais interessados nos benefícios que as novas tecnologias têm a oferecer.

Os veículos mais novos contam com computadores de bordo, câmeras que auxiliam em manobras, sistemas avançados e integrados de navegação, entre muitos outros benefícios.

Tudo isso pode instigar a vontade de trocar sua ferramenta de trabalho por uma mais eficiente e atualizada, não é mesmo? Muitos desses recursos fazem uma diferença enorme no seu dia a dia, facilitando a vida nas estradas.

Alguns recursos, como o GPS, até podem ser incorporados a quase qualquer veículo, já outros são opções apenas para quem investe nos modelos mais novos.

Avalie a real necessidade das tecnologias embarcadas para a melhoria do seu trabalho e considere também a economia em médio prazo que essa troca pode lhe proporcionar.

Além disso, os motores mais novos emitem menos poluentes na atmosfera e também contam com recursos computadorizados para economizar combustível.

Veículos mais recentes também contam com recursos modernos de segurança, como sistemas de frenagem com alerta de colisão e de transmissão sincronizada, além de dispositivos integrados de rastreamento e monitoramento em seus computadores de bordo, entre diversos outros.

Esses itens — embora nem todos sejam essenciais — são muito importantes para a segurança e otimizam a dirigibilidade do veículo, justificando, assim, o investimento em um caminhão mais moderno.

2. Manutenções frequentes e caras

Caminhões mais antigos precisam de mais atenção de seus donos no que se refere aos cuidados com a manutenção. No entanto, manutenções muito frequentes podem elevar o custo e comprometer os ganhos com os fretes, visto que os caminhões exigem cada vez mais cuidados mecânicos — além das revisões periódicas e regulares.

Além disso, os veículos que já estão no fim de sua vida útil quase sempre possibilitam apenas consertos paliativos, o que faz com que as falhas reapareçam e nunca sejam reparadas definitivamente, levando o dono a gastar dinheiro repetidas vezes para resolver um mesmo problema.

Isso é um indicativo claro da necessidade de troca por um modelo mais novo. No final das contas, em longo prazo a troca pode representar uma economia, tendo em vista os ganhos em tempo (com a menor possibilidade de o caminhão ter que ficar parado), a maior confiabilidade do veículo e a redução de gastos.

3. Vazamentos

O vazamento costuma ser um dos principais indícios de problemas mecânicos graves no motor. Por isso, não é aconselhável ignorá-lo.

Em um caminhão, os vazamentos mais comuns são o de gás, o de óleo e o de fluidos de freio e de transmissão.

De maneira geral, quando o veículo não está em boas condições mecânicas, esses vazamentos costumam ser mais frequentes. Isso ocorre especialmente no caso de veículos mais antigos, pois o desgaste de muitos anos de uso pode causar as rachaduras nos reservatórios que são as grandes causadoras do problema.

Se isso começar a se apresentar constantemente, é preciso considerar se a troca por um caminhão mais novo não seria um meio de ter menos dor de cabeça.

4. Barulhos excessivos e fumaça

Motores mais antigos são excessivamente barulhentos e poluentes. Isso costuma ser um verdadeiro tormento para os vizinhos de caminhoneiros, que têm que lidar com a fumaça preta e o som desagradável e alto quando esses profissionais retornam de viagem, muitas vezes de madrugada.

Estudos recentes indicam também um problema grave para a saúde do caminhoneiro. Causadas pela exposição excessiva ao barulho dos motores, altas incidências de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR) têm sido registradas.

A doença é progressiva e irreversível e pode se agravar com o passar dos anos. Caminhões antigos costumam apresentar um funcionamento muito ruidoso por conta do desgaste das peças, o que causa grande desconforto auditivo durante os trabalhos e, em casos mais sérios, pode levar o caminhoneiro a ter perdas auditivas.

Portanto, se esse é o seu caso, considere seriamente investir em um veículo mais novo, mais confortável e que ofereça menos riscos à sua saúde.

5. Mudanças nos tipos de frete

Em toda profissão, com o tempo e a experiência, o profissional acaba recebendo mais propostas, o que amplia seu campo de atuação. Com os caminhoneiros, não haveria de ser diferente.

Pode ser que você esteja recebendo propostas de fretes maiores agora, com possibilidades de ganhos mais atrativos. Nesse caso, pode acontecer de você precisar adquirir um caminhão que suporte cargas mais pesadas e volumosas, o que também nos leva ao próximo item.

6. Necessidade de um veículo com melhor performance

Você faz regularmente manutenções e revisões no seu caminhão, entretanto, a performance do veículo continua insatisfatória e até mesmo instável.

Isso lhe dá a constante sensação de que o motor não vai aguentar em diversos trechos mais difíceis da viagem, o que causa grande preocupação e desconforto durante todo o período de trabalho. Você se identificou com essa situação? Pois é, talvez seja a hora de você trocar seu caminhão.

Todos os bens de consumo, duráveis (veículos) e não duráveis (eletrodomésticos), têm uma vida útil. Caminhões são feitos para durar décadas, mas existe sempre o desgaste que ocasiona uma performance comprometida.

Veículos mais novos costumam ser bem mais confiáveis nesse aspecto. Se o desempenho de seu caminhão já não é mais o mesmo, apesar dos cuidados com as manutenções, talvez seu volume de trabalho esteja demandando um instrumento mais afiado. Pense nisso!

Por que é preciso renovar?

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em pesquisa recente, mostrou que, dos 2.256.703 caminhões que rodam no Brasil atualmente, temos uma média de veículos com 12,7 anos.

Dentro desse total de caminhões, boa parte (1.018.435) compõe a frota de veículos de trabalhadores autônomos; nesse grupo, os caminhões são em média cinco anos mais velhos — chegam à média de 17,3 anos.

Como os modelos 0 km são, muitas vezes, inacessíveis para os carreteiros, a maioria acaba rodando com veículos desatualizados e muito aquém das condições ideais para o trabalho.

No entanto, apesar das condições não tão atrativas para adquirir veículos zero quilômetro nos últimos tempos, há boas opções de caminhões seminovos revisados, com boa procedência e garantia dada pelo fabricante. 

Aliás, os fabricantes têm investido cada vez mais no mercado de caminhões usados, oferecendo veículos em excelentes condições por preços mais convidativos. 

Por isso, talvez seja mesmo a hora de investir na troca do seu velho guerreiro, pois ter um veículo — que é seu instrumento de trabalho — mais eficiente não deixa de ser um excelente investimento. 

O mercado de seminovos está aquecido

Houve uma mudança nas regras de financiamento pelo BNDES que favoreceu a compra de seminovos. Os veículos com até 5 anos passaram a ser incluídos no BNDES Finame, que oferece maior agilidade e prazo reduzido de entrega do caminhão.

Além disso, a compra de um usado mais novo pode ser o trampolim para progredir para um zero quilômetro posteriormente e aproveitar todas as tecnologias embarcadas dos carros atuais. 

Fabricantes como a Scania estão investindo nessa modalidade, incluindo-a em sua estratégia de vendas. De toda forma, já é um bom caminho para a renovação da frota brasileira, que, como mostramos, é preocupantemente antiga.

Motoristas autônomos e pequenas e médias empresas são os principais compradores de caminhões usados. Esses clientes têm acesso aos serviços das fabricantes antes oferecidos apenas pela compra de veículos novos, o que entrega mais confiabilidade no produto, com certificado de origem e sem intermediários na compra. Resumindo, os seminovos compensam por estas razões:

  • taxas CDC e Finame mais atrativas para financiamento;
  • revisões e concessão de garantia do fabricante;
  • maior disponibilização de informações (em sites especializados) da procedência do motor, chassi e caixa de câmbio, certificando o comprador da originalidade dos itens;
  • verificação minuciosa de mecânica (procedência de peças originais da fábrica) e documentação do veículo seminovo dada pelo fabricante.

Como se organizar para trocar de caminhão

Aqui, planejamento é a palavra de ordem! A troca de caminhão precisa ser cuidadosamente pensada, pois é uma decisão muito importante.

Trata-se de um veículo para trabalho, por isso, é preciso tomar alguns cuidados ao adquirir o caminhão novo, seja ele 0 km ou usado. Confia abaixo!

1. Faça uma escolha racional

A primeira dica é: seja racional em sua escolha, deixe o lado emocional silenciado na hora de avaliar as opções.

Ao comprar ou trocar de carro, é comum se deixar levar pelo entusiasmo na hora de tomar a decisão. No entanto, tratando-se de um investimento maior, como um caminhão, é preciso pensar com maior seriedade e pragmatismo. Um mau negócio, nesse caso, pode render dores de cabeça proporcionalmente maiores.

2. Pense em sua real necessidade

Na hora de fechar o negócio, você deve ter em mente o tipo de carga que seu novo caminhão transportará e também qual será a carroceria usada. Pensando nisso, você deve ponderar sobre questões de motorização e força necessária, bem como sobre o desempenho esperado para rodar bem com a carga com a qual você trabalha.

Além disso, há alguns caminhoneiros que atuam com maior ênfase em determinadas regiões e, por conta disso, acabam lidando mais com estradas de terra, por exemplo; para esses casos, o caminhão precisará ser bem mais robusto e resistente. 

Agora, se você trafega por trechos onde há muitas serras, pode precisar de um motor com bastante torque, que realmente dê conta do recado, por isso é essencial contar com a ferramenta que seu trabalho exige.

3. Escolha a ferramenta ideal para o seu tipo de trabalho

Se você roda muito no perímetro urbano, poderá optar por um veículo ¾, com capacidade entre 3 e 7 toneladas. Isso porque esse tipo de caminhão tem o aval da maioria dos órgãos reguladores de trânsito para rodar livremente nas áreas centrais das cidades.

Pensando em transportar baús refrigerados, coletores de lixo ou caçambas? Então, um modelo intermediário — ou Toco — será o mais indicado para você. 

Modelos Truck, ou semipesados, também têm autorização para rodar nas cidades, podendo transportar volumes grandes de carga: 24 toneladas. Já os extrapesados excedem esse volume.

A escolha deve levar em conta as especificações mais comuns nas suas demandas de fretes.

4. Faça uma escolha para melhorar a sua vida

Pense nos seus principais desapontamentos com o modelo que você tem atualmente. Em quais aspectos seu caminhão lhe deixa desfavorecido? Tenha isso como parâmetro na hora de escolher um novo.

Faça uma lista desses itens e mostre-a ao vendedor para que ele possa lhe indicar um modelo que tenha os recursos que faltam no seu veículo atual.

5. Leve em consideração o peso do veículo

Para não ser multado na balança em algum trecho, você precisa saber o peso do modelo pelo qual você se interessou, levando em consideração a carroceria e o peso médio das cargas que costuma transportar.

Faça os cálculos para não acabar levando para casa um veículo muito pesado para as cargas com as quais você trabalha, para que a soma dos itens não ocasione sobrepeso e, consequentemente, multas nas barreiras. Leve em conta os limites de velocidade que também são estipulados por peso.

Como negociar na hora de trocar o caminhão?

1. Dê o antigo veículo como entrada

Como o valor do investimento em um caminhão é alto, há várias maneiras para possibilitar o pagamento. No caso da troca do caminhão, você poderá usar o dinheiro da venda do antigo veículo como entrada e financiar o restante do valor — essa costuma ser a opção mais usada.

Com uma entrada maior, diminuem-se os juros na compra. Isso permite que o pagamento das prestações restantes seja feito com os valores mais substanciais recebidos por trabalhos maiores — que um caminhão mais potente e moderno possibilita conseguir. Acaba sendo vantajoso.

2. Opte pelo consórcio

Outra possibilidade para quem quer trocar de caminhão, mas não tem tanta urgência no processo, é o consórcio. Com ele, você poderá dividir o valor da compra em até 100 vezes.

Essa modalidade tem a vantagem de não cobrar juros, entretanto, existem as taxas de administração. Preste atenção no valor cobrado nessas taxas para não pagar um valor muito alto.

O consórcio possibilita realizar a troca do caminhão de forma programada, o que facilita o planejamento financeiro e a preparação para o negócio. Não pagar IOF, entrada ou taxas de juros elevadas, além da maior facilidade na aprovação do crédito (por se tratar de uma forma mais segura de negociação), são algumas das vantagens dessa modalidade.

3. Considere fazer um leasing

Além do consórcio, muitos caminhoneiros e prestadores de serviço optam pela compra de um caminhão pela modalidade leasing. Segundo essa prática, o profissional recebe o veículo e paga mensalmente um valor parcelado, como se fosse um aluguel do veículo.

Ao final das prestações, pode-se escolher pela efetivação da compra do caminhão. No entanto, paga-se uma média de juros de 1,75% ao mês.

4. Pesquise opções de financiamento

Já o financiamento, aquele em que é dado o crédito diretamente ao consumidor, costuma ter uma taxa de juros mais elevada: cerca de 1,8% ao mês. Os prazos também são um pouco mais curtos. Na modalidade de empréstimo pessoal, os bancos costumam dar um prazo de 24 meses para pagamento da dívida.

Com o Finame, que já mencionamos aqui, há até mesmo um prazo de carência para iniciar as parcelas, que costuma ser de 3 a 12 meses. Os juros são mais baixos — uma média de 8 a 13% ao ano — e o valor pode ser todo financiado em um total de 60 meses. Por isso, trata-se da forma mais vantajosa para o caminhoneiro financiar sua nova máquina.

Agora, vamos às dicas referentes à negociação!

5. Fique de olho na tabela Fipe

O passo mais fundamental na negociação, na venda de seu veículo e na compra de um novo ou seminovo é a consulta da tabela Fipe. Sim, ela também abrange caminhões!

A tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), como você já sabe, é o estudo oficial e confiável para consultar na hora de fazer negócio com seu carro, caminhonete, moto, caminhão etc. Por informar o valor médio dos veículos pelo ano de fabricação, é o parâmetro não apenas dos compradores e vendedores, mas das seguradoras e financeiras que oferecem consórcios de veículos usados.

Além disso, até mesmo os cálculos dos valores do IPVA são tirados do banco de dados da tabela Fipe. Até o governo brasileiro utiliza esse recurso, então, não tem por que não abusar dele na hora de negociar seu caminhão, não é mesmo?

6. Use a cor como argumento na briga por um bom preço

Assim como na negociação de carros, caminhões que fogem do padrão preto ou prata tendem a ter menor valor de mercado.

Se isso não faz a menor diferença para você, já que caminhões são itens mais utilitários do que qualquer outra coisa, use isso a seu favor!

Caso um veículo de outra cor lhe interesse, tente um desconto com o vendedor argumentando que se trata de um item menos comercial. Costuma funcionar. 

7. Pondere vantagens e desvantagens do modelo escolhido

Veículos importados podem ter depreciação maior no preço com o passar dos anos, se comparados às opções nacionais. Além disso, é preciso verificar a disponibilidade de peças no mercado nacional.

Bem como alguns importados, modelos de caminhões nacionais que já saíram de linha têm que ser avaliados cuidadosamente no que se refere ao fator reposição de peças. 

Verifique se há ampla oferta no mercado; com a internet, essa tarefa ficou ainda mais fácil. Pesquise em fóruns e verifique a opinião dos proprietários a respeito. 

Lembre-se de que caminhões não fogem à regra: quanto mais caro o modelo, maior é o preço da manutenção. Além disso, o decaimento do preço de mercado de veículos mais caros também é mais acentuado.

Itens como som e DVD não costumam ser valorizados na hora de negociar um caminhão usado. Por isso, você pode desinstalar acessórios como esses, deixando-os fora do negócio. Se você quiser, eles poderão ser reinstalados em seu novo veículo.

8. Verifique a procedência do veículo antes de fechar o negócio

Consulte no site do Detran ou em outros sites especializados o histórico do caminhão. Veja se não se trata de um veículo que já foi sinistrado, se é de leilão, se já houve envolvimento em acidentes ou se teve o chassi remarcado. Esses e outros detalhes precisam ser levados em conta para um bom negócio! Se possível, procure também referências do antigo proprietário do veículo. 

Se for comprar em concessionária, o preço costuma ser mais alto do que na negociação direta com o proprietário, o que justifica a garantia.

Não se esqueça de incluir no seu orçamento a negociação para o valor da transferência. E caso seja preciso mudar a tarjeta de cidade para onde o caminhão será registrado, esse valor pago terá acréscimo. 

Além disso, com a mudança de veículo, mudam também os gastos com impostos, então, verifique a viabilidade de arcar com eles anualmente.

E então, caminhoneiro, nosso post foi útil para você? À primeira vista, decidir trocar seu veículo de trabalho pode parecer complicado, mas esperamos que a partir dessas informações você possa se programar para fazer o melhor negócio na hora de trocar de caminhão!

Para continuar se informando sobre temas pertinentes ao dia a dia na profissão, confira também nossas dicas exclusivas sobre como evitar o roubo de caminhões!