Você como caminhoneiro, que ganha a vida nas estradas, já teve um sinistro de carga? Se sim, certamente sabe o tamanho do transtorno que isso representa, não é mesmo? Registro de ocorrência policial, contato com o embarcador da carga e acionamento do seguro (caso a carga esteja a assegurada) são apenas alguns dos procedimentos a serem realizados.

E, caso você não tenha passado por isso, também poderá imaginar quais dificuldades devem ser enfrentadas. Afinal de contas, algum colega caminhoneiro já teve que lidar com esse problema.

Pensando nessa situação tão presente na vida dos caminhoneiros, preparamos um passo a passo que descreve como você deve se comportar em um sinistro de carga.

As informações dizem respeito a todas as etapas do processo, desde a ocorrência do furto, roubo ou acidente e vão até o recebimento da indenização. Não deixe de conferir!

O que fazer primeiro em caso de sinistro de carga?

A primeira providência é comunicar a seguradora por telefone, por e-mail, pelo site da empresa, pessoalmente ou da forma que você julgar mais conveniente. Informe os dados e forneça documentos e informações que sejam relevantes para a confirmação do sinistro.

Mesmo que a carga não possa mais ser aproveitada, você deve proteger a mercadoria e qualquer outro bem que ainda esteja ao seu alcance. Preserve todos os vestígios do ocorrido para investigação da seguradora.

Não deixe de fazer uma ocorrência na polícia ou em outra autoridade competente — a ocorrência é uma forma de se resguardar. Nela, você deve mencionar todas as provas de que realmente houve um sinistro.

Na ocorrência também devem constar todos os bens transportados — não só os que foram perdidos e danificados. Você deve mostrar os registros comerciais e demais documentações obrigatórias. Eles são imprescindíveis para que se comprove e se apure o sinistro.

Como é feita a vistoria?

A vistoria é obrigatória em todos os casos. Ela deve ser feita no local de destino, com a mercadoria descarregada, ou pode também ser feita em outro local, desde que seja de comum acordo entre seguradora e segurado.

Um perito apura a causa e o tamanho do sinistro. Representantes da seguradora, do transportador e do responsável pela guarda das mercadorias e bens devem acompanhar o processo. Todos os gastos com essa vistoria são de responsabilidade da seguradora.

O que acontece se o sinistro for por roubo de carga?

Em média, 15% dos gastos totais de uma transportadora é direcionado para a segurança. Isso porque o índice de roubo de carga em transporte nacional (RCF-DC) vem crescendo ano após ano. Alimentos, eletrodomésticos e medicamentos são os mais saqueados.

Em casos de assalto, a primeira recomendação é que você não reaja. Bandidos não têm nada a perder e carga nenhuma vai valer sua vida. O número cada vez maior de roubo de carregamentos e outros bens transportados fez com que surgisse o seguro de desvio de carga.

Esse seguro traz uma segurança além do seguro de responsabilidade civil do transportador de carga, exigido por lei. Você deve apresentar para a seguradora os seguintes documentos:

  • carta do segurado informando o sinistro. Normalmente, um formulário para ser preenchido, em caso de sinistro já vem junto com a apólice. Para que o processo de cobertura seja agilizado, o ideal é que esse formulário tenha todos os seus campos preenchidos;
  • boletim de ocorrência;
  • laudo de apreensão, exibição e entrega do veículo e/ou carga;
  • CNH, identidade e CPF do motorista;
  • se tiver ajudante, identidade e CPF da pessoa;
  • identidade e CPF do proprietário do veículo;
  • documento do veículo (CRLV), acompanhado do licenciamento;
  • declaração de próprio punho do motorista;
  • conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC);
  • cópia das consultas cadastrais do motorista e do veículo;
  • se tiver ajudante, cópia da consulta cadastral da pessoa;
  • manifesto de carga ou qualquer documento equivalente assinado pelo motorista;
  • notas fiscais de embarque.

O que acontece se o sinistro for por acidente?

Para casos de acidentes em transporte nacional (RCTR-C) é importante que você, antes de tudo, saiba a causa do prejuízo para informar corretamente a seguradora.

Os documentos a serem apresentados são:

  • carta do segurado informando o sinistro;
  • boletim de ocorrência ou laudo da polícia rodoviária;
  • CNH, identidade e CPF do motorista;
  • se tiver ajudante, identidade e CPF da pessoa;
  • documento do veículo, com o licenciamento;
  • declaração de próprio punho do motorista;
  • conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas;
  • manifesto da carga ou qualquer documento equivalente assinado pelo motorista;
  • notas fiscais de embarque.

O que acontece em casos de perda total?

Existem casos em que a seguradora passa a ter propriedade sobre a carga e outros bens, depois do sinistro. Um exemplo disso é quando há perda total dos bens assegurados. É configurado como perda total se o prejuízo a ser coberto for a partir de 75% do valor declarado na fatura.

Sem essa fatura, a indenização corresponde ao valor dado na hora e local do embarque. A perda total também pode ser dada individualmente a cada mercadoria, se essas estiverem discriminadas uma a uma na fatura. Ou seja, não pode ser aplicada para mercadorias sem embalagem, a granel ou que façam parte de um bloco indivisível.

Outras possibilidades no caso de perda total incluem: a seguradora aceitar o abandono da mercadoria pelo proprietário ou pagar a ele a indenização pela carga perdida.

O que não cobre?

Para obter indenizações de itens secundários — como frete, despesas de sinistro, lucros perdidos e impostos — você deve contratar cada item como cobertura adicional. Além disso, a seguradora não tem obrigação de cobrir os seguintes casos:

  • se o sinistro for consequência de alguma ação ilegal ou se for comprovada má-fé da sua parte;
  • se houver alguma omissão ou declaração falsa que poderia aumentar o valor da apólice ou causar possível recusa da seguradora;
  • caso você se recuse a apresentar qualquer documento que esclareça dúvidas do sinistro;
  • se você for negligente com a conservação da carga e dos bens que tenham sofrido danos ou perdas;
  • caso você aumente intencionalmente o tamanho do prejuízo.

O que costuma cobrir?

Agora que você já sabe o que o seguro não cobre, devemos esclarecer quais são as situações de cobertura. Acompanhe os tópicos a seguir e entenda como o seu caminhão e sua carga estarão protegidos.

Roubo e furto

Não é nenhuma novidade para os caminhoneiros que as estradas têm se tornado cada vez mais perigosas. Nesse sentido, as estatísticas de roubo e furto são as que mais chamam a atenção.

De acordo com a Associação Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística (NTC&Logística), ao longo do ano de 2016, foram registrados 24.563 roubos de cargas em todo o território nacional, totalizando um prejuízo de R$ 1,360 bilhões para empresários.

A ação de bandidos se concentra na região sudeste do país, principalmente no estado de São Paulo, por onde passam grandes rodovias estaduais e federais que dão acesso aos estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e a região sul do país.

Tendo em vista esse cenário, não dá para abrir mão de uma cobertura para roubos e furtos. O seguro da carga contribui, inclusive, para que o caminhoneiro nunca cogite reagir em um assalto, pois ele saberá que qualquer prejuízo será ressarcido.

Colisão e incêndio

Acidentes nas estradas provenientes de colisão é outro risco enfrentado por caminhoneiros. Além de danos ao caminhão, a carga, muitas vezes, sai avariada. Por isso, é mais do que recomendado se resguardar desse tipo de evento.

Incêndios também são recorrentes. Imagine que as próprias colisões poderão provocar o vazamento de algum fluido inflamável, iniciando, assim, um incêndio. Panes elétricas também poderão ser os causadores de incêndios. Para esse tipo de evento, também é possível contratar cobertura.

Cobertura a terceiros

Há pouco falávamos de acidentes envolvendo colisões. Na grande maioria dos casos, os prejuízos não são apenas dos caminhoneiros, não é mesmo? Os demais carros que, eventualmente, se envolveram na batida também poderão sofrer danos.

Nesse momento, costuma se estabelecer uma grande discussão em relação a quem foi o responsável pelo acidente, o que costuma envolver a presença de autoridades policiais.

Com a cobertura de danos a terceiros, parte desse tipo de desgaste poderá ser eliminada, pois o plano contratado cobrirá os danos nos demais veículos, facilitando um acordo entre as partes.

Guincho e destombamento

Em se tratando de acidentes com veículos pesados, é sempre bom contar com um serviço especializado de guincho e destombamento. Os casos de tombamento, especificamente, são bastante frequentes.

Em curvas um pouco fechadas, qualquer imperícia do motorista pode ser fatal. Pense, por exemplo, nos caminhões-tanque e plataformas, que perdem estabilidade muito facilmente. A velocidade desenvolvida pelo veículo nem precisa ser elevada para que ocorra o tombamento.

Ao ter esse benefício assegurado, o acionamento do serviço é muito simples (contato telefônico a ser realizado pelo transportador ou caminhoneiro), além de envolver uma espera muito menor, se comparado ao guincho ou destombamento contratado de forma autônoma.

Assistência 24h

Como já vínhamos falando, a assistência para o caminhoneiro que se envolve em diferentes tipos de sinistro é bastante completa. Em qualquer situação e a qualquer hora, você poderá solicitar assistência. Já parou para pensar na diferença que isso pode fazer?

Primeiramente, os custos envolvidos para qualquer serviço acionado durante a madrugada ou fora do horário considerado comercial são muito elevados.

Ao ter seu caminhão e sua carga cobertos por um seguro, além de pagar mais barato, você não corre o risco de ser pego financeiramente desprevenido, sem o dinheiro para pagar o guincho, destombamento ou conserto de seu caminhão.

Em segundo, é muito mais confortável ter a certeza de que basta ligar para a seguradora ou serviço equivalente para ser socorrido. Imagine uma situação em que você não consiga entrar em contato com nenhum serviço localizado nas imediações do acidente, ficando parado na estrada por muitas e muitas horas em busca de um auxílio, correndo o risco de ser assaltado ou de provocar um novo acidente.

Proteção de implementos

Você já ouviu falar de proteção de implementos? Os implementos são os segmentos de um veículo de carga, como reboque, carroceria e outros equipamentos tracionados. Você mesmo, enquanto cliente, poderá contratar um limite em dinheiro para proteger os implementos de seu veículo.

Dessa maneira, em qualquer sinistro que esses segmentos do caminhão sofram danos, você será indenizado dentro do limite contratado.

Táxi e hospedagem

Outra situação de dificuldade para quem teve a viagem interrompida por um acidente, falha mecânica ou qualquer outro problema, é o deslocamento até em casa ou hotel/pousada mais próxima. Como já mencionado anteriormente, em algumas situações, você poderá estar sem dinheiro para cobrir esses custos.

Ao optar por um plano de benefícios completo para assegurar seu veículo e sua carga, será possível contar com esse tipo de vantagem. Já pensou o quanto mais cômodo deve ser contar com um serviço que faça tudo por você?

Seguro de vida

Por último, deixamos para listar um benefício que não tem relação direta com seu caminhão ou com a carga transportada, e sim com você e sua família. Como todo bom caminhoneiro deve saber, acidentes nas estradas que envolvem a morte dos condutores são mais comuns do que nós gostaríamos.

Frente a esse cenário, o que todo caminhoneiro responsável deve fazer é pensar no bem-estar de quem depende financeiramente da atividade exercida por ele.

Com isso, queremos dizer que é muito importante contratar um seguro de vida. Muitas instituições oferecem a venda casa, isso é, seguro veicular mais seguro de vida. Assim, caso o pior venha a acontecer, quem você mais ama estará amparado, pelo menos, em termos financeiros.

Como é feita a indenização?

Depois de toda a documentação entregue, a seguradora tem 30 dias para indenizar o segurado. Caso haja algum atraso, a seguradora deve pagar juros. Se forem necessários outros documentos para esclarecimento do sinistro de carga, a seguradora terá mais 30 dias.

Note que isso não inclui documentos que tenham sido gerados como resultado de um sinistro. O valor deve ser dado em dinheiro e o depósito deve estar em nome do segurado. Em vez do dinheiro, o segurado pode optar pela reposição do bem ou da carga perdida no sinistro.

Percebeu a importância de contratar um seguro? O sinistro de cargas, infelizmente, é uma ocorrência que tem se tornado cada vez mais comum, por isso você deve se proteger e garantir o mínimo de prejuízos possíveis.

Agora que você já sabe tudo sobre sinistro de carga, leia também nossa postagem sobre os desafios da logística para superar os sinistros. Até a próxima!