Seguir tranquilo pela estrada, com segurança e o mínimo possível de imprevistos no trecho é o grande objetivo de todo caminhoneiro. Certamente, uma das maiores ameaças à segurança desse profissional e à preservação da sua carga acaba sendo o frequente risco de tombamento de caminhão a cada curva.

Pensando nesse grave problema, tão comum nas estradas brasileiras, vamos dar algumas dicas pontuais sobre como se livrar desse risco. Preparado? Então continue a leitura!

Por que ocorre tanto tombamento nas estradas?

Caminhões e carretas tombam com bastante facilidade. Mas por que será que isso acontece tanto? Você já ouviu falar em “força g”? Esse é um termo muito comum nas corridas de Fórmula 1, por exemplo. Nos carros dessa categoria, essa tal força é de 5 g, a título de curiosidade.

Trata-se da unidade de medida para determinar a aceleração lateral que acontece em uma curva. Força g tem a ver com a gravidade que atua também em uma curva. Você pode senti-la quando percebe aquela força que o empurra contra a porta do caminhão em uma curva mais rápida.

É essa “bendita” força atuante na aceleração lateral que tomba os caminhões nas estradas. Os carros de Fórmula 1 suportam 5 g nas curvas, enquanto os caminhões suportam apenas de 0,4 a 0,6 g. É bem pouco. Percebeu o risco?

Por isso, os automóveis de passeio derrapam antes de tombar, como você já deve ter observado. Já os caminhões tendem a tombar logo de cara.

Para medir a capacidade dos carros ficarem estáveis nas curvas, existe a medida SRT (Static Rollover Threshold). Em bom português, isso significa Limite Estático para Tombamento Lateral, que demonstra em g essa capacidade.

Nesse caso, enquanto um automóvel tem mais estabilidade, SRT superior a 1 g, os caminhões e veículos de carga têm a metade disso, 0,5 g. Ou seja, novamente: tombam fácil.

Esse valor, o SRT, é para mostrar a intensidade da aceleração lateral que, com certeza, levantará os pneus do lado de dentro da curva, provocando o tombamento.

Os caminhões, se atingirem 0,5 g em uma curva, vão tombar. Por isso, os carros podem ir mais rápido nas curvas com estabilidade.

Você pode ter deduzido com isso que quanto maior o peso do veículo, mais fácil será o tombamento. E está correto. Cargas em excesso potencializam esse risco.

Ora, quanto maior o peso, menos aceleração já ocasiona o tombamento. Por isso, em uma mesma curva, sob a mesma velocidade, é provável que um caminhão com carga regular não tombe onde um caminhão com excesso de carga já tombou.

Como é possível se prevenir?

Mas e aí, depois de tantos números, como você faz para não tombar a sua carga? Vamos a algumas dicas básicas para você resguardar tanto a sua integridade física quanto prevenir estragos no veículo e na carga, evitando o tombamento na curva. Confira!

Evite sempre o excesso de velocidade nas curvas

Seja nas alças de acesso aos viadutos, nas rotatórias, em curvas abertas ou fechadas, enfim em quaisquer situações em que tenha que trabalhar os braços no volante, esteja sempre atento à velocidade. Pode parecer óbvio, mas esse é ainda o maior motivo que leva os caminhões a derraparem: excesso de velocidade na curva.

Já que o problema é comum, a solução também será bem simples: reduza a velocidade nas curvas! Trafegue sempre abaixo do limite de velocidade recomendado nos trechos, ainda mais se estiver chovendo. Como você sabe, cargas pesadas devem sempre rodar abaixo do limite em pelos menos 10 quilômetros.

Nas curvas, o ideal é sempre diminuir a velocidade, cerca de 15 a 20 quilômetros, ou até mais, do que a sinalização indica. Dessa maneira, você vai minimizar as chances de tombamento.

Fique atento ao “efeito chicote”

Outra coisa que leva ao tombamento é o tão temido “efeito chicote”, que afeta treminhões, bitrens e rodotrens. Ele é causado pela excessiva trepidação na última carreta. Se você dirige um gigante desses, fique atento às vibrações para não tombar.

Preste atenção extra ao transportar carga líquida

Transportando cargas líquidas, você deve ficar mais atento com o nível do tanque. Se não estiver cheio, o movimento do líquido, especialmente nas curvas, afetará bastante a estabilidade do caminhão.

Quando o volume da carga é parcial, ocorre o “efeito slosh”, que é o movimento da carga dentro do tanque. Esse movimento joga para o lado o centro gravitacional do veículo, mandando o volume de líquido do lado externo para o lado interno da curva, de forma brusca, dependendo da velocidade, ocasionando o tombamento do caminhão.

É claro que isso sempre depende de uma série de questões. Há que se considerar o formato do tanque, a consistência e a viscosidade do líquido e, sobretudo, o modo como será feita a manobra na curva.

Diferentes tipos de cargas afetam a dirigibilidade do caminhão. Isso ocorre especialmente com cargas líquidas em tanques múltiplos, que, dependendo do volume de cada um, podem exercer diferentes forças sobre os eixos traseiros e dianteiros do veículo.

Tenha cuidado com as cargas penduradas ou vivas

Elas também alteram, de forma semelhante às líquidas, o centro de gravidade da carreta. Todos esses tipos de carga, por não serem fixas, exigem muito maior domínio do condutor nas manobras em curvas pelo movimento constante que acabam produzindo.

Nas curvas, como em todo o trecho, é preciso prudência e respeito à vida. Dessa forma, você evita grandes acidentes e pode seguir tranquilo de volta a sua para casa e a sua família.

Não basta simplesmente obedecer à sinalização. A profissão de caminhoneiro exige perícia, habilidade e experiência para conduzir o veículo com segurança, tendo em vista as muitas (aqui citamos algumas) situações que se enfrenta e que alteram a dirigibilidade do caminhão.

Então, caminhoneiro, agora, que você já está expert no assunto, certamente tem mais condições de evitar tombamento de caminhão e seguir sua viagem com segurança e tranquilidade! Para mais dicas como estas, não deixe de assinar a nossa newsletter! Fazendo isso, você será notificado por e-mail cada vez que sair um post novo!