Como todo caminhoneiro deve saber, os pneus de caminhão têm sido vendidos a preços cada vez mais salgados. Em média, um único pneu custa R$ 2.000,00. Observando esse valor, não precisamos nem falar da necessidade de conserva esse item do seu veículo, não é mesmo?

O momento de fretes escassos também não tem ajudado, o que reforça a necessidade de economizar em tudo quanto for possível. Pensando em ajudar você, organizamos este guia com a história dos pneus e dicas sobre conservação, manutenção e escolha do modelo ideal para o seu veículo. Não deixe de conferir!

Quando tudo começou: conheça a história dos pneus

Nós cultivamos a ideia de que as coisas as quais fazemos uso em nosso dia a dia sempre existiram tal qual são hoje. No caso do pneu, a história não é diferente. Ou você já parou para se perguntar qual é a história do beneficiamento da borracha?

Provavelmente não, não é mesmo? Já de antemão garantimos que se trata de uma história das mais instigantes, cheia de idas e vindas.

Tudo começa com as rodas ainda fabricadas com ferro e madeiro, que passaram a possibilitar o transporte de cargas de elevado peso. Em décadas seguintes, passou-se a utilizar a borracha maciça em uma composição com aros de madeira.

Acontece que esses primeiros pneus apresentavam um problema grave: a dilatação da borracha. Durante o dia, momento em que era exposta a elevadas temperaturas, o material se deformava, chegando a aderir ao solo quente. Já durante a noite, a situação era inversa, pois o pneu contraia devido à queda na temperatura.

Imagine só deixar o seu veículo estacionado na rua e, ao retornar, não saber qual será o estado dos pneus ou se você conseguirá sair do lugar. Essa era a situação dos primeiros pneus de caminhão da história. Para se ter uma ideia do quão grave era o problema, em viagens, as pessoas costumavam levar de 6 a 8 estepes!

A grande virada na história dos pneus aconteceu a partir do trabalho de Charles Goodyear. Foi ele o responsável por adicionar enxofre ao processo de vulcanização e chegar a uma composição resistente a variações de temperatura. À época, essa mudança representou uma verdadeira revolução.

Nesse momento, cabe um parêntese importante: Charles Goodyear não foi o responsável por criar a famosa marca de pneus Goodyear. O nome em questão foi uma homenagem feita pelos verdadeiros criadores da empresa ainda no século XIX, Frank Sciberling.

A formação do pneu tal qual é hoje

Outra marca famosa de pneus e os seus percursores também tiveram papel importante na história dos pneus. Em 1845, os irmãos Michelin foram os responsáveis por patentear os pneus.

Nos anos seguintes, o inglês William Thompson inseriu câmara de ar nos pneus, de modo a deixá-los mais resistentes e aliviar o impacto das trepidações.

A partir dessa inovação, chegamos ao primeiro pneu tal qual conhecemos hoje em 1904. Muito diferente da composição da roda de madeira revestida por borracha, o pneu do início do século XX passou a ser revestidos com lonas de algodão, borracha devidamente galvanizada com enxofre e rodas removíveis com estrutura metálica.

Na década seguinte, Frank Seiberling teve a ideia de inserir rachaduras na borracha, o que aumentaria a aderência ao solo. Em período próximo, a empresa BF Goodrich Company realizou a adição de carbono à fórmula da borracha vulcanizada com enxofre, chegando a um material de maior durabilidade.

Já na década de 1930, a mesma companhia foi responsável por chegar a primeira fórmula de borracha sintética. A substância utilizada no composto levava o nome de Chemigum.

A chegada dos pneus de caminhão ao Brasil

A produção brasileira de pneus começou apenas no início da década de 1930, a partir da implantação do Plano Geral de Viação Nacional no ano de 1934. A concretização do plano em questão aconteceu, de fato, somente em 1936, com a criação da Companhia Brasileira de Artefatos de Borracha, que levava o nome de Pneus Brasil e era sediada no Rio de Janeiro. Já em seu primeiro ano de vida, a Pneus Brasil chegou a fabricar mais de 29 mil pneus.

Entre os anos de 1938 e 1941, tivemos a chegada em nosso país de algumas gigantes do setor. Em 1939, a Firestone se instalou em Santo André – SP e a Bridgestone também implantou uma fábrica na cidade de São Paulo.

Nos anos seguintes, o aumento da capacidade produtiva pela chegada de novas fabricantes elevaria a produção nacional para mais de 441 mil unidades. Esse número, no final da década de 1980, chegaria a 29 milhões.

Na atualidade, o Brasil conta com mais de 15 fábricas de pneus, sendo algumas grandes marcas internacionais: Goodyear, Brigestone Firestone, Pirelli e Michelin. Com essa capacidade produtiva, o país alçou o sétimo lugar na categoria de pneus para automóveis e o quinto em produção de pneus de caminhão, ônibus e camionetes.

Confira, a seguir, uma linha do tempo com a trajetória do pneu pelo mundo e pelo Brasil, elaborada pelo site Tudo Sobre Pneus:

1871 – É fundada a Continental-Caoutchouc-und Gutta Percha Compaigne, em Hanover, Alemanha.

1872 – É fundada, a PIRELLI & C., na cidade de Milão, por Giovanni Battista Pirelli.

1888 – John Dunlop inventa o primeiro pneu, ou seja, inflado com ar, mas era para bicicletas.

1889 – Os irmãos Édouard e André Michelin, fundam Clermont-Ferrand na França

1891 – Os irmãos Édouard e André Michelin patenteam o primeiro pneu desmontável, reduzindo o tempo de conserto de três horas e uma noite para 15 minutos.

1895 – André Michelin foi a primeira pessoa a usar um pneu em um automóvel, contudo, sem sucesso.

1898 – Frank Seiberling funda a Goodyear Tire & Rubber em Akron – Ohio – EUA. O nome é uma homenagem ao inventor Charles Goodyear.

1900 – Harvey S. Firestone funda em Ohio, EUA, a Firestone Tire & Rubber Company.

1901 – Philip Strauss inventa o primeiro pneu com sucesso, com a combinação Pneu e Câmara de Ar.

1903 – P.W. Litchfield da Goodyear patenteia o primeiro pneu sem câmara, contudo, esses pneus só entram em comercialização e produção em 1954, equipando originalmente o Packard.

1904 – Os aros desmontáveis são introduzidos no mercado, permitindo que os motoristas efetuem a troca.

1908 – Frank Seiberling inventa os desenhos nos pneus, aumentando o poder de tração dos veículos.

1910 – A companhia B.F. Goodrich inventa pneus de longa vida, adicionando Carbono à mistura da borracha.

1919 – A Goodyear inaugura um escritório de vendas no Rio de Janeiro.

1929 – A PIRELLI adquire a Conac, uma pequena fábrica de condutores elétricos, instalada na cidade de Santo André, S.P. e inicia as suas atividades no Brasil.

1931 – Shojiro Ishibashi, traduz o seu sobrenome para o inglês e funda a Bridgestone Tire Co.,Ltd.

1939 – É inaugurada a fábrica da Firestone em Santo André, São Paulo.

1939 – É inaugurada a fábrica da Goodyear em São Paulo, São Paulo.

1940 – É fundada a Fate em Buenos Aires, Argentina.

1941 – É inaugurada a Chosun Tire Company, em Seul na Coréia do Sul, em 1968 teve seu nome trocado para Hankook Tire Manufacturing.

1946 – A Michelin inventa o pneu radial.

1960 – É fundada a Kumho Tires Co. Ltd, em Gwangju, na Coréia do Sul.

1973 – É inaugurada a fábrica da Goodyear em Americana, São Paulo

1980 – É inaugurada a fábrica da Michelin em Resende, Rio de Janeiro.

1992 – Inicia a importação dos pneus Kumho e Marshal para o Brasil.

1996 – A Fate obtém o certificado do INMETRO e inicia a exportação para o Brasil.

2005 – A Michelin desenvolve a combinação de “pneu-roda” que não usa ar. O Tweel.

2006 – É inaugurada a fábrica da Continental em Camaçari, Bahia.

Quais os componentes e características do pneu?

Características do pneu

O aspecto visual dos pneus de caminhão nos leva a crer que se trata de um componente formado primordialmente por borracha. Como muitos sabem, isso não é bem verdade.

Para se ter uma ideia, em um pneu de passeio, temos 27% de borracha sintética e outros 14% de borracha natural. Temos ainda 28% de negro de fumo (resido proveniente da queima de derivados de petróleo que serve para pigmentar e reforçar a liga dos pneus.)

Outros derivados de petróleo e demais produtos químicos formam outros 17% do pneu, enquanto o material metálico, geralmente aço, representa 10%. Por último, temos 4% de material têxtil.

Confira, a seguir, um resumo da composição dos pneus e uma análise elementar da borracha:

Composição de Pneus Ligeiros e Pesados
Material Pneu Ligeiro Pneu Pesado
Borracha / Elastómeros 47 % 45 %
Negro de Fumo 21,5 % 22 %
Aço 16,5 % 25 %
Têxtil 5,5 %
Óxido de Zinco 1 % 2 %
Enxofre 1 % 1 %
Aditivos 7,5 % 5 %

 

   

 

Análise Elementar da Borracha
Carbono (%) 78-83
Hidrogénio (%) 6-7
Oxigénio (%) 3,5-5
Nitrogénio (%) 0,2-0,4
Enxofre (%) 1 – 1,6
Cloro (%) 0,07 – 0,1
Cinzas (%) 5 – 10

Componentes do pneu

Vejamos adiante quais são os componentes do pneu e as suas características:

  • Capa de borracha sintética: componente localizado no interior do pneu, que faz a função de câmara de ar;

  • Caraça: formado por fios de pequena espessura de fibras têxtil. Em ângulos retos, eles se encontram coladas às borrachas e dão “liga” a estrutura dos pneus, possibilitando resistência à pressão exercida pelo peso do veículo. A caraça de um pneu comum, geralmente, apresenta cerca de 1400 cabos, sendo que cada um deles suporta um peso de até 15kg.

  • Talão: a função desse componente é transmitir os comandos do motor e travagem da jante (ou aros) ao conjunto do pneu em contato com o solo. Além disso, os arcos do talão ainda são responsáveis por fixar a estrutura do pneu;

  • Flancos de borracha maciça: cumprem a função de proteger o pneu de choques e contatos com o solo que poderiam danificar a caraça. Uma borracha de boa qualidade garantirá a aderência da jante ao pneu;

  • Lonas de reforço: compostas por cabos de aço de finíssima espessura e, ao mesmo tempo, muito resistentes, que se posicionam de forma obliqua um sobre os outros. Quando entrelaçadas com os fios da caraça, formam triângulos de grande resistência;

  • Banda de rolamento: acoplada as lonas de reforça, a banda de rolamento receberá o “desenho” do pneu ou esculturas. A sua área de contato com o solo precisa ser resistente o bastante para suportar o atrito com diferentes tipos de materiais.

Quais os tipos de pneus de caminhão e como escolher um?

Nessa sessão, você poderá conferir quais são os tipos de pneus para caminhão e o que levar em conta na hora de escolher um.

Os dois principais pontos a serem levados em consideração na hora de escolher um modelo de pneu são: o tipo de carga a ser transportada e o tipo de trajeto que será realizado na maior parte do tempo. Baseando-se nisso, você deverá escolher o ‘desenho do sulco’ entre as marcas de pneus de caminhão de sua preferência.

Confira os exemplos a seguir:

Trajeto Urbano  pneu de alta severidade

Esse é o tipo de pneu indicado para quem roda constantemente em trechos urbanos e, em função disso, realiza o tempo todo manobras de frenagem e aceleração. Os ônibus de transporte de passageiro, por exemplo, geralmente utilizam esse pneu.

Trajeto Rodoviário  pneu de baixa severidade

Esse tipo de pneu se destina a quem costuma realizar longas viagens por rodovias. A conformação dos seus sulcos favorece um bom desempenho para essa finalidade e ajuda, inclusive, na economia de combustível.

Trajeto Regional  pneu de média severidade

Entre as opções listadas, esse é o tipo de pneu de caminhão mais versátil, pois apresenta média severidade, sendo que o seu desempenho é satisfatório em regiões de muitos aclives e declives. Dado a conformação bastante variada das diferentes regiões no Brasil, muitas transportadoras acabam fazendo uso do pneu de média severidade.

Trajeto Misto  pneu misto

Se você roda por regiões asfaltadas ou estradas de terra constantemente, o pneu misto é o mais indicado para seu caminhão. Geralmente, caminhões de coleta de lixo ou utilizados em transporte de carga agrícola usam esse pneu.

Trajeto Fora da Estrada  Pneu off-road

Como o próprio nome faz entender, o pneu off-road se destina a quem roda por terrenos pouco amigáveis, cheios de pedras e acidentado. É o caso, por exemplo, dos caminhões utilizados em regiões de extração de minério.

Dicas sobre manutenção de pneus de caminhão

Agora é hora de conhecer o que observar para cultivar alguns cuidados nas estradas e manter os pneus de caminhão em bom estado. Continue a leitura e saiba mais!

Cumpra o que está estabelecido em lei

Se você já conhece os procedimentos necessários para lidar com pneus de carros de passeio, basta aumentar a proporção dos cuidados, considerando as medidas de pneus de caminhão. Mesmo para quem não tem conhecimento, a observação diária do estado geral dos pneus será um primeiro grande passo.

Isso porque as normas de trânsito estabelecem um limite para os desgastes observados nos pneus. Assim, para você não correr o risco de ter o veículo multado ou apreendido, é mais do que necessário manter um nível de conservação adequado.

Nesse sentido, a resolução número 558/80 da Contran  Conselho Nacional de Trânsito  prevê que os sulcos dos pneus não podem apresentar profundidade inferior a 1,6 mm. Esse parâmetro pode ser medido pelo indicador TWI (Tread Wear Indicator), que está presente na parte lateral dos pneus indicado por triângulo ou pela própria sigla TWI>.

Dessa maneira, a sua responsabilidade é prestar atenção a essa medida. Todo e qualquer pneu fora desse padrão é considerado careca. Além de enfrentar problemas com a lei, você estará colocando em risco não só a sua vida na estrada, mas a vida das demais pessoas que transitam ao seu redor.

Direção defensiva nas estradas

Como muitos caminhoneiros devem saber, rodar de “qualquer jeito” é um problema para a conservação do caminhão como um todo, acarretando desgaste aos componentes do motor, sistemas de suspensão e freios e também para os pneus.

Por isso, é sempre interessante praticar a direção defensiva, que, na prática, significa dirigir com cautela, respeitando os limites de velocidade do trecho pelo qual se está passando e as condições de operação do veículo.

Quanto a isso, podemos destacar a relação de marchas. Para melhor durabilidade dos seus pneus, é interessante sempre acionar o câmbio no momento certo, sem deixar o motor trabalhar em rotações muito elevadas. Ao mesmo tempo, é importante evitar freadas bruscas ou acelerar de formar desnecessária.

Substitua os pneus de caminhão no momento certo

Alguns fatores influenciam diretamente no tempo de vida de seus pneus. Os principais deles são:

  • calibragem adequada;
  • tipo de estrada pela qual se costuma passar;
  • clima das regiões por onde se transita;
  • peso das cargas transportadas.

Caso esses fatores não lhe favoreçam, isto é, você passa por situações em que o desgaste é acelerado, a sua atenção deve ser redobrada. O principal ponto a ser observado nesse sentido é o aspecto dos sulcos. Caso eles estejam muito deteriorados, é chegada a hora de fazer a substituição.

Lições do carro são aplicáveis ao caminhão

Todo motorista precavido toma algumas medidas necessárias para conservar os pneus dos veículos. A principal delas é a realização periodicamente do alinhamento e balanceamento.

Como muitos devem saber, esse “ajuste” evita que o conjunto dos pneus se desgaste de forma acelerada e irregular. Ademais, manter a revisão do veículo em dia e cuidar de outros componentes, como o motor, por exemplo, também contribui para a conservação dos pneus.

Podemos dizer que esses cuidados aplicados ao veículo de passeio são rigorosamente os mesmos a serem tomados com o caminhão. Com isso, queremos dizer que a experiência adquirida ao cuidar dos pneus do seu carro pode ser aplicada na hora cuidar dos pneus de caminhão.

Saiba avaliar um pneu antes de efetuar a compra

Saber avaliar o estado de conservação de um pneu é fundamental. Para isso, você deve ficar atento à espessura dos sulcos, que é de 8 mm no caso de um pneu “zero”, 4 mm no caso de um pneu meia-vida e de apenas 2 mm quando se trata de um pneu careca.

Na hora de proceder com a troca de seus pneus de caminhão, saiba conferir as especificações técnicas para o modelo de seu veículo. Geralmente, essas informações estão contidas no manual do proprietário e trazem recomendações referentes à pressão, dimensões, excesso de peso em caminhões, entre outros pontos.

Tratando-se da qualidade da marca e custo-benefício, é interessante conhecer a experiência de outros colegas caminhoneiros. Profissionais com mais experiências poderão lhe indicar qual produto evitar ou quais apresentam boa qualidade.

Faça rodízio

A grande vantagem de realizar o rodízio de pneus é a possibilidade de obter um desgaste de pneus uniforme de todo o conjunto, de modo a adiar a substituição pelo máximo de tempo possível.

Não se esqueça que rodar um pneu excessivamente desgastado pode acelerar a degradação do demais que estejam em boas condições. Além disso, você também terá um ganho em termos de estabilidade.

Na hora de proceder com a troca, é interessante contar com um profissional capacitado para isso. A substituição de pneus em veículos de carga não é uma ação tão simples quanto em um veículo de passeio. Qualquer inconsistência nesse serviço pode colocar a sua segurança em risco.

Conheça algumas dicas importantes em relação ao rodízio:

  • caso o seu caminhão tenha vários eixos, substitua as rodas internas;

  • rodas de um mesmo eixo devem passar pelo rodízio juntas, de modo a evitar o desbalanceamento;

  • finalizado o processo, verifique se a pressão dos pneus se manteve adequada;

  • confira no manual do proprietário se há alguma especificidade para realizar o rodízio em seu modelo de caminhão;

  • pneus unidirecionais devem passar por uma rotação paralela.

  • quanto à periodicidade, saiba que se trata do mesmo intervalo do alinhamento e do balanceamento: de 10.000 em 10.000k.

Agora você já sabe tudo sobre pneus de caminhão, desde a sua história, principais características do pneu até dicas sobre manutenção. As informações deste guia serão muito úteis para todos os caminhoneiros que desejam ter mais segurança nas estradas.

Confira mais este guia que preparamos para você: Guia para evitar roubo de caminhões.