Entenda como as estradas influenciam no trabalho do caminhoneiro

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Para muita gente, o trabalho do caminhoneiro é muito mais que exercer uma profissão. É a realização de um sonho, que muitas vezes passa de pai para filho ou do tio para o sobrinho e por aí vai.

E só quem vive essa rotina diária sabe o quanto esse trabalho é um grande desafio a todos que estão transportando o país em sua carroceria.

Por isso, é importante entender esses desafios e encarar com sabedoria os percalços das estradas e como elas influenciam no seu trabalho. Acompanhe neste artigo dicas que poderão te ajudar no seu dia a dia pelas estradas.

O impacto no bolso por conta das estradas mal conservadas

É evidente que uma estrada mal conservada vai trazer muitos problemas. Inconvenientes de toda ordem: prejuízos financeiros, prazos não cumpridos, carga danificada, peças dos veículos estragadas, entre muitos outros que nem dá para citar.

É difícil até de mensurar o tamanho do prejuízo que uma estrada esburacada e mal sinalizada pode causar. Mas é sabido que os custos com combustível e com a manutenção são os que mais sofrerão impacto negativo quando se encara uma estrada em condições inadequadas de tráfego.

E por serem os vilões do custo do transporte, é prudente evitar trafegar nesse tipo de rodovia sempre que possível.

O planejamento do itinerário e a violência nas estradas

O caminhoneiro que depois de verificar se a carga está bem amarrada e bem coberta com a lona, conferir as notas fiscais do que será transportado e checar as condições do caminhão — água no radiador, pneus calibrados e iluminação —, tem como passo seguinte planejar o itinerário a ser percorrido antes de pôr o pé na estrada.

Fazer um estudo detalhado do caminho a ser seguido, tomando as devidas precauções com as rodovias escolhidas por onde vai trafegar, é essencial. É necessário, ainda, saber exatamente a autonomia do veículo e os pontos de parada desse percurso para evitar uma pane por falta de combustível.

E nessa verificação do itinerário devem ser levados em consideração os pontos onde historicamente são mais perigosos de se trafegar em determinados horários. Tanto na questão da violência de roubos e furtos, quanto o tipo de trânsito, que pode ser mais carregado e que geralmente causa mais acidentes.

Essas medidas podem ajudar a ter uma viagem mais tranquila e evitar atraso no compromisso.

As polícias rodoviárias frequentemente divulgam os pontos de maior incidência de acidentes, roubos e assaltos. Então, fique atento a essas informações e, sempre que possível, evite trechos de maior risco.

O trabalho do caminhoneiro requer pontos de parada adequados

Com o planejamento do itinerário feito e seguida a viagem, o motorista deve se preocupar com seu tempo de jornada e os locais de descanso. Uma longa e ininterrupta jornada de trabalho do motorista pode significar um aumento considerável no risco de acidentes.

O Brasil já dispõe de uma legislação que regulamenta a jornada do caminhoneiro, a lei 13.103/2015. Ela determina que a jornada do motorista não pode ultrapassar as 12 horas diárias e que ele também não pode exceder o tempo de cinco horas ininterruptas de direção. Os intervalos para descanso devem ser de trinta minutos.

Mas ainda são precárias as condições em que os caminhoneiros enfrentam no país. Para se conseguir locais que atendam perfeitamente a lei e as necessidades dos caminhoneiros, muitas vezes, é preciso contar com a sorte.

Para que a lei funcione adequadamente e cumpra seu valor social, as estradas brasileiras deveriam dispor de paradas adequadas suficientes para os profissionais em atividade, com local seguro para guarda do caminhão, banheiros devidamente equipados e área apropriada para refeição.

Enquanto as autoridades não cumprem seu dever de entregar o que a lei determina, fica a cargo do motorista entender que ele precisa fazer a parte dele e cobrar para que as paradas sejam multiplicadas e que se respeite a profissão do caminhoneiro. Até isso acontecer, por enquanto, as boas rodovias brasileiras levam vantagem em relação às demais por contarem com melhor estrutura.

Entre um atalho e uma estrada com pedágio

Já vimos nesse artigo os prejuízos causados por estradas mal sinalizadas e aconselhamos a não utilização delas sempre que possível, certo? Entretanto, muitos motoristas ainda preferem fazer um desvio de rota para evitar a estrada com pedágio, que geralmente são mais sinalizadas.

Facilmente são vistos nelas pontos de assistência mecânica e apoio policial. A pista de rolamento raramente se encontra com buracos, pois as concessionárias investem na manutenção periodicamente.

Muitas vezes, o impacto do custo do pedágio parece ser maior do que o valor investido para se desviar a rota. Apenas parece. Não dá para mensurar exatamente os custos de quebra do veículo, tempo extra do percurso e gasto com diesel. Sem contar que esses desvios são mais propensos às ações de bandidos.

Por conta disso, para sua tranquilidade e segurança, procure optar sempre por estradas mais bem conservadas, mesmo que com pedágios.

A comunicação entre os que vivem na boleia do caminhão

A boa e velha linguagem de sinais dos profissionais do asfalto ainda persiste mesmo com a evolução da tecnologia que conta com smartphones e vários aplicativos. Ainda é comum ver pelos para-brisas os gestos feitos com as mãos indicando um trânsito parado ou risco de roubo no caminho.

Entretanto, a comunicação pelos rádios PX ou pelos aplicativos de celular — como o Whatsapp — pode auxiliar o motorista com informações de trechos com problemas. Pode ser uma obstrução, problemas climáticos, animais na pista ou qualquer outra eventualidade que a comunicação possa servir para ajudar o amigo de profissão.

De todo jeito, avisar e ser avisado sobre as condições que se encontra o trajeto é uma forma de melhorar as condições do trabalho de todos. Ajuda também a amenizar a falta que se tem da família e dos amigos — que por inúmeras vezes, ficam distantes — tornando a viagem mais prazerosa.

A baixa segurança como um fator de medo

Não é novidade para ninguém que o Brasil é um país marcado pela violência ao longo da história e que, mesmo nos dias de hoje, contamos com algumas das cidades com piores índices de criminalidade em todo o planeta. Na vida das estradas, a coisa não muda muito de figura. Fazendo com que o caminhoneiro prudente precise sempre estar um passo adiante.

São diversas as situações que podem colocar em risco não apenas a carga, mas também a própria vida do profissional. Em linhas gerais, é preciso dar preferência para vias bem sinalizadas e movimentadas, com barreiras policiais e sem tantos trechos que exijam desvios ou diminuições bruscas de velocidade por conta de falhas no asfalto.

Além de evitar tais condições que seriam propícias para oportunidades de roubos e furtos, contar com uma boa apólice de seguro também é muito importante. Isso confere não apenas garantias de reaver as perdas materiais, mas até mesmo de ser socorrido em menos tempo em caso de quebras, acidentes ou qualquer tipo de sinistro que ocorra.

Falta de investimento e fiscalização nas estradas

As más condições nas estradas, como já dissemos, podem trazer um impacto muito negativo na vida do caminhoneiro. No entanto, não dá para negar que nossas vias também sofrem, pois somos um país de dimensões continentais e com poucas opções no modal ferroviário, o que acaba sobrecarregando o tráfego rodoviário.

Não tem jeito: o elevado número de veículos, muitos deles pesados como ônibus e caminhões, sobrecarregam as principais pistas. Para minimizar o impacto, é crucial que todos atendam às devidas leis sobre o tema, como limitações de peso e horários de circulação. Além disso, é preciso que estejam em dia com a manutenção, para evitar situações ainda piores.

Como não são todos que se preocupam em atender às exigências legais, tudo fica mais complexo. Unindo isso aos baixos investimentos nas malhas asfálticas e fiscalizações precárias, temos um cenário perfeito para o problema. É preciso reverter tal panorama, para assegurar a qualidade das operações e não prejudicar os condutores.

A tecnologia como uma aliada do caminhoneiro

Por fim, não podemos deixar de destacar a tecnologia como uma poderosa aliada do caminhoneiro. Com tantos problemas aos quais os profissionais da estrada são expostos no dia a dia, essa é uma ajuda bem-vinda e que jamais pode ser menosprezada. É preciso utilizar os recursos certos e fazer com que eles auxiliem na rotina.

Um exemplo disso é o bom e agora já “velho” GPS. Essa é a sigla para Global Position System, ou seja, um sistema global de posicionamento, que funciona por meio de satélites e informa não apenas o ponto que você está e o que deseja chegar, como também a distância, tempo estimado, possíveis vias, eventuais limites de velocidade e até radares.

Para os mais modernos, existem os aplicativos de trânsito, entre os quais os mais famosos são o Waze e o Google Maps. Eles usam a internet para buscar dados em tempo real, exibindo congestionamentos, acidentes e outros detalhes relevantes. Se você circular em locais nos quais a cobertura da web é boa, eles são, definitivamente, a melhor opção.

Vimos nesse artigo as vantagens de optar por estradas bem conservadas e desvantagens de viajar nas ruins. Vimos também os impactos financeiros e os benefícios de planejar o itinerário, para ter uma viagem bem mais segura e tranquila. Se chegou até aqui, é porque você é um apaixonado pelo trabalho do caminhoneiro e procura sempre se informar. E isso é muito bom!

O que achou do artigo? Quer aprender um pouco mais sobre o tema? Então, que tal conferir nosso outro post que fala sobre como combater o sono no volante?

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