Por que a carta frete ainda é usada pelos caminhoneiros?

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Todo mundo sabe que a vida na estrada pode ser tão satisfatória quanto complexa, na medida em que oferece possibilidades interessantes de remuneração para os profissionais, mas também riscos como furtos, roubos, acidentes e até mesmo a falta de pagamento. Pensando nisso, resolvemos preparar um post mostrando por que a carta frete ainda é usada pelos caminhoneiros.

Definitivamente, quem é mais experiente no ramo tende a estar bem familiarizado com o assunto, mas o fato é que, apesar de estar proibida desde o ano de 2010 em território nacional, ela ainda continua sendo amplamente utilizada pelo Brasil afora. Continue sua leitura e aprenda mais sobre o tema!

O que é carta frete?

A carta frete é um recurso bastante conhecido nas estradas e que foi utilizado por transportadoras por muito tempo. Em resumo, trata-se de uma espécie de documento que é entregue para os motoristas, com um valor monetário especificado, e deve ser destinado para o pagamento de despesas como combustível, hospedagem e alimentação.

Funcionava como uma espécie de “vale”, que poderia ser trocado em determinados postos de gasolina ao longo do trajeto. O seu problema maior se configurava em trazer prejuízo para o profissional, que não tinha poder de escolha e ficava condicionado a parar e, consequentemente, gastar apenas em alguns locais.

Além disso, existiam questões nebulosas, como o uso de cheques sem fundo e fixação de percentuais mínimos de gasto, o que muitas vezes dificultava a já complicada e exigente rotina dos motoristas. Por conta disso, no ano de 2010, a prática foi proibida em território brasileiro, sendo atualmente considerada ilegal pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Como funciona a carta frete?

Na prática, a empresa transportadora ou embarcadora entregava a carta frete para o caminhoneiro como parte do pagamento pelo serviço, sendo que o restante só seria quitado na entrega da carga. O profissional seguia viagem, utilizando o recurso nos postos de combustíveis que mantinham relação comercial com seu contratante.

Dependendo do caso, poderia ser exigido um percentual mínimo de gasto ou cobrados valores maiores do que os habituais para clientes comuns. Tratava-se de uma prática que acabava aprisionando o motorista autônomo, que ficava sem alternativas e era obrigado a adquirir os itens e serviços que ele precisava para viajar, porém pagando muito mais caro.

O que diz a lei sobre a carta frete?

O uso desse recurso foi recorrente em todo o país por décadas, o que ajuda a entender por que ele segue sendo tão enraizado na cultura das estradas brasileiras. No entanto, a Lei Nº12.249/2010 proibiu a prática, tentando trazer um pouco mais de liberdade e qualidade de vida para os caminhoneiros profissionais.

O que assusta é que a estratégia continua sendo praticada livremente em muitos locais e, se você prestar um pouco mais de atenção, não é incomum acharmos postos de gasolina com grandes faixas nas quais está escrito algo como “Trocamos Carta Frete”. Isso mostra como a fiscalização vem sendo ineficiente e deve ser aprimorada em nossas vias.

O que é o Pagamento Eletrônico de Frete (PEF)?

Como em todos os segmentos da sociedade, a tecnologia segue em constante evolução na rotina da estrada, e isso chegou às questões financeiras. O Pagamento Eletrônico de Frete, também conhecido pela sigla PEF, veio para proporcionar mais profissionalismo e segurança à relação entre empresas e caminhoneiros que fazem o transporte de cargas.

Nesse contexto, ele está relacionado ao pagamento do serviço, que deverá ser feito aos transportadores autônomos diretamente em sua conta-corrente ou conta-poupança ou por qualquer outro meio estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. O PEF traz muito mais dinâmica para todas as partes, elevando o padrão de atuação no segmento.

Quais são as vantagens do Pagamento Eletrônico de Frete?

Se chegou até aqui, você já sabe o que é carta frete e viu que ela não era uma boa alternativa. Por isso, vamos elencar algumas das maiores vantagens do Pagamento Eletrônico de Frete, tanto para profissionais quanto para as empresas. Acompanhe!

Segurança para transportadoras e profissionais

Não dá para falar nas vantagens do Pagamento Eletrônico de Frete sem dizer que isso confere mais segurança para transportadoras e profissionais. Como dissemos, a carta frete era um grande problema, que engessava a liberdade do profissional da estrada e ainda elevava o risco de ele sofrer prejuízos ou até mesmo um tremendo calote.

Com o PEF, o cenário muda completamente. O pagamento eletrônico otimiza o relacionamento entre empresas e motoristas autônomos, uma vez que todos os dados relacionados à viagem e aos valores ficam salvos em um sistema da organização, oferecendo informações em tempo real caso surja qualquer contratempo ou questionamento.

Comprovação de renda facilitada

Como se não bastassem as eventuais multas, despesas com manutenção e imprevistos da estrada, o motorista profissional também costumava enfrentar muitos problemas na hora em que precisava comprovar sua renda. Essa é uma situação muito comum para autônomos, mas que pode dificultar muito na hora de alugar um imóvel, comprar um bem ou fazer financiamentos.

Com o Pagamento Eletrônico de Frete, a coisa muda de figura. Exatamente pelo fato de ser uma modalidade que utiliza recursos digitais, tudo é facilmente verificável e comprovável. Os dados e valores ficam armazenados e documentados em um sistema, que pode oferecer os devidos comprovantes sempre que o caminhoneiro solicitar.

Regulamentação para os caminhoneiros

Falando em facilidade em comprovar renda, sabíamos que a meta de muitos caminhoneiros era economizar tanto quanto pudessem, pois a profissão não apresentava muitas garantias e poderia deixar o profissional em apuros no futuro. No entanto, o Pagamento Eletrônico de Frete veio ao encontro de mais essa demanda dos motoristas autônomos.

O PEF ajuda a regulamentar a atividade, tendo em vista que os cálculos e a retenção da contribuição previdenciária e dos demais tributos ficam sob responsabilidade da organização contratante, sendo facilmente auditáveis no sistema. É um tremendo ganho para quem enfrenta o dia a dia da estrada, que pode dormir mais tranquilo dessa maneira.

Como você pôde ver, a carta frete ainda é usada pelos caminhoneiros, mas devemos mudar essa realidade e trazer mais segurança para a profissão!

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