O transporte de cargas é um dos pilares da economia brasileira. Em geral, ele é composto pelo relacionamento entre os modos de transporte, o meio transportador e os terminais de carga. Ele é tão importante que o deslocamento dos produtos pode alcançar a marca de 64% dos custos logísticos e  o dobro do lucro de cada mercadoria em algumas situações.  

O transporte rodoviário de cargas (TRC), por exemplo, movimenta aproximadamente 60% dos bens, com custo estimado em 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Números impressionantes, não é mesmo? Não para por aí! No caso do Brasil, existem alguns desafios a serem enfrentados, já que apenas 0,8% do PIB é destinado a investimentos em infraestrutura de transporte. Em outros países, os investimentos giram entre 8 e 10%.  

Além de influenciar a economia geral, a logística de transporte afeta diretamente a vida do caminhoneiro. Que tal conhecer melhor a realidade do transporte de cargas no Brasil? Confira!

Como são realizados os transportes de cargas?

No Brasil, além do transporte rodoviário, o abastecimento interno e as exportações podem ser realizados por três outros meios: aéreo, ferroviário e hídrico. O primeiro é composto por 2.457 aeroportos (públicos e privados). Entretanto, apenas cinco deles se destacam no transporte de cargas: Galeão, Viracopos, Guarulhos, Manaus e Brasília.

Já o sistema ferroviário, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), é o maior da América Latina quando se considera a quantidade de carga transportada. São mais de 30 mil quilômetros utilizados para o escoamento da produção. Apesar disso, o sistema ainda é insuficiente para a logística e dimensão do território brasileiro.

Quando o assunto é exportação, as hidrovias se destacam. Os 37 portos (públicos) marítimos e fluviais são responsáveis por mais de 90% da saída de produtos do Brasil. Em 2017, de acordo com a ANTAQ, foram transportadas mais de 800 milhões de toneladas.

Mesmo com essas três outras opções, o principal meio de movimentação de cargas no Brasil é o transporte rodoviário. Seu custo gira em torno de 6% do PIB nacional e representa mais de 60% da movimentação de mercadorias. Na indústria alimentícia, a receita chega a 65,5%, enquanto na Agroindústria, atinge 62%.

Esses dados demonstram que mais da metade da receita líquida das empresas passa pelas rodovias. O Brasil tem aproximadamente 1,720 milhão de quilômetros de estrada, mas isso não significa facilidade no deslocamento. Desse total, apenas 12,3% é pavimentada e somente 50% das rodovias federais estão em bom estado. Nesse cenário, nada mais importante que o trabalho do caminhoneiro!

Quem vive o dia a dia nas estradas revela que as melhores condições de deslocamento são no sul do Brasil, seja nas rodovias sob os cuidados de parcerias público-privadas ou nas estaduais. Já no norte e nordeste a qualidade das estradas cai um pouco. Para enfrentar as adversidades é preciso mais do que manter o asfalto em boas condições. O ideal é construir pistas duplas, principalmente nas rodovias mais movimentadas.

Qual é a situação atual do transporte rodoviário de cargas?

O baixo investimento no modal rodoviário precariza o transporte de cargas. A expansão das rodovias é incompatível com o aumento da frota de veículos. Entre 2006 e 2016, a frota cresceu mais de 110%, enquanto a extensão das rodovias federais aumentou apenas 11,7%. Muitos trechos não são pavimentados ou não estão em condições adequadas.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição no quesito qualidade de infraestrutura rodoviária. A maioria dos recursos disponíveis são insuficientes para a implementação de projetos.

Ademais, a aquisição de investimentos é muito demorada, uma vez que eles são concedidos pelos bancos públicos. Há quem defenda a melhoraria a partir da competitividade do mercado de crédito privado. Assim, o BNDES deixaria de ser a fonte principal de financiamento e passaria a mobilizar o financiamento.

Vale lembrar que o transporte rodoviário de cargas está conectado à situação do país. Desse modo, as crises econômicas e as relações comerciais afetam diretamente o setor. O cenário não é dos melhores, mas é possível ser otimista, principalmente a partir da melhoria nas negociações, ampliação dos investimentos, crescimento da economia nacional e integração com o mercado global.

Além disso, é preciso oferecer aos caminhoneiros serviços de qualidade e compatíveis com a função desempenhada por eles. Empresas de médio e grande porte, em que a circulação de caminhões é intensa, deveriam, por exemplo, oferecer instalações seguras e receptivas aos profissionais.

Disponibilizar locais com boa qualidade para carga, descarga, banhos e refeições faz toda diferença. Alguns empreendimentos atentos à qualidade de vida dos motoristas oferecem esses serviços, mas eles ainda são minoria. Uma alternativa parece ser a regulamentação e a fiscalização dessas estruturas por parte do governo.  

Quais são os desafios do transporte rodoviário de cargas?

Como você deve ter percebido, o principal desafio é a falta de estrutura. É preciso um aumento do interesse do setor público, do investimento do PIB, da eficácia e implementação das propostas por parte do Governo Federal. Outro ponto importante é a lógica de funcionamento do modal. Sem dúvida, transformar o sistema de concorrência em colaboração pode aprimorar as operações intermodais.

A qualificação profissional e a implementação de soluções tecnológicas também configuram desafios. É preciso inovar a logística do setor para melhorar as operações e baratear os custos. Só assim será possível elevar a integração dos transportes, aumentar a vantagem competitiva e superar os obstáculos, sobretudo aqueles em larga escala.

Como o transporte rodoviário afeta o caminhoneiro?

Como você viu, a atual situação do transporte rodoviário não é boa e impacta diretamente na vida do caminhoneiro. Além da ausência de infraestrutura, o profissional que trabalha com o transporte de cargas tem que lidar com os baixos preços de fretes e a sobrecarga de trabalho. Com o preço do combustível nas alturas, também fica cada vez mais difícil ganhar dinheiro com o deslocamento de cargas.

A ausência de segurança também precisa ser revista para garantir que tudo ocorrerá bem ao longo dos quilômetros percorridos. Atualmente, os caminhoneiros correm muitos riscos, que vão desde o roubo de partes do veículo a seus pertences pessoais. Mesmo com as barreiras policiais, é necessária uma atuação mais consistente por parte dos agentes fiscalizadores.

A realidade dos caminhões brasileiros é outro desafio. A idade média da frota pode chegar a 20 anos em algumas regiões. Com a redução do valor dos fretes pelas empresas, a renovação dos caminhões é inviável.

A disponibilidade de veículos também é grande. Seguindo a lei da oferta e da procura, os clientes buscam pagar cada vez menos pelo serviço, sucateando as operações e o trabalho do caminhoneiro. Boas perspectivas se aproximaram com a tabela do frete. Entretanto, o governo deve investir na fiscalização para garantir a valorização do trabalho dos motoristas.  

Estrutura, falta de investimento, segurança e oscilações nas relações comerciais são alguns dos fatores que afetam os caminhoneiros. Além disso, não podemos esquecer que estradas com qualidade duvidosa são sinônimo de aumento dos gastos com a manutenção do caminhão e do tempo necessário à entrega das mercadorias.

Pronto! Agora você já sabe como a situação do transporte rodoviário de cargas impacta no cotidiano do caminhoneiro. Que tal curtir a nossa página no Facebook e continuar por dentro das notícias?